Premium A obrigação de ganhar e os árbitros das "sandes"

A obrigação de ganhar e os árbitros das "sandes"
Carlos Flórido

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A anedota do árbitro que se vende por "uma sandes e um sumol" é antiga, transversal a todas as modalidades de pavilhão e não tão inocente como possa parecer.

Se no futebol existiu durante muitos anos a preocupação de profissionalizar os árbitros, como única forma de os levar a acompanhar o aumento da qualidade do jogo - e ainda surgiram as equipas de cinco juízes, os VAR e o que mais for necessário -, no andebol, basquetebol, hóquei em patins e voleibol essa ideia nem se coloca: só mesmo os melhores dos melhores têm um rendimento que faz alguma diferença, e graças ao que ganham em jogos internacionais, o que reduz a quase totalidade a carreiras feitas de amadorismo e paixão.

Se comecei a escrever pela realidade dos árbitros, foi por residir aí o início da explicação para os momentos conturbados que se têm vivido nos anos mais recentes. A indignação do FC Porto, mesmo sendo particularmente forte, é apenas a mais recente.

Há muito que o amadorismo dos árbitros não acompanha a competitividade dos jogos, cada vez mais velozes e físicos. E em alguns casos, como acontece no hóquei em patins, as regras não param de mudar, colocando mais responsabilidades e capacidade de decisão em quem apita.

Se a isto se somar o aumento do investimento dos maiores clubes, inflacionado nas duas últimas épocas pela aposta de Bruno de Carvalho nas modalidades - e por mais um interessante e abastado "player" chamado Oliveirense -, temos o caldinho perfeito. Para os maiores clubes, passou a ser obrigatório ganhar; do outro lado, aquele de quem apita, são cada vez mais os casos ou de falta qualidade ou de excesso de sandes e sumóis.

Não me perguntem como isto se irá resolver, que não faço ideia. Nem bebo sumóis.