Os da frente, os de trás e os arrasados que decidem

Os da frente, os de trás e os arrasados que decidem

O clássico, um final estonteante na cauda do pelotão e uma nota sobre o silêncio dos clubes portugueses quando levam porrada de quem manda.

Tanto sonho em suspenso. O confessável - mau seria se os portistas não confiassem nos seis pontos de vantagem, mesmo visitando o Benfica e recebendo o Estoril até concluir o campeonato - e o inconfessável - dar asas aos sonho dos sportinguistas, a seis pontos de distância e com apenas duas jornadas pela frente, é algo que só um arrojado Nuno Santos parece ser capaz de verbalizar.

Assim estão as contas do pódio, cujo terceiro lugar ficou definido na 32.ª jornada: por lá ficou a equipa que começou a época sem confessar que precisaria de jogar o triplo, como quando alicerçou a sua mensagem, um ano antes, no início da segunda vida de Jesus na Luz. É essa águia ferida na asa que quererá, até por uma questão de brio, bater o pé a outro dos que lhe passaram à frente. Já o fez com o Sporting, há dias... Os 4-1 com que os leões brindaram o Gil Vicente não terão convencido os de Barcelos, que não esconderam queixas da arbitragem - aVARias -, na senda do que fizeram com a sanção aplicada ao seu treinador, Ricardo Soares, que esteve impedido de estar no banco. E no Dragão, a estratégia vizelense de olhos-nos-olhos fez tremer os alicerces da confiança azul e branca, até que Mbemba, em jeito de despedida, entendeu deixar a sua marca numa caminhada que pode levar o FC Porto ao 30.º título nacional. Taremi bisou, selou o triunfo e... novo shiuuu!

Tão interessante, mas não tão mediática, está a luta pela permanência, onde Belenenses e Moreirense parecem mais condenados do que Tondela (esteve a ganhar quase até final no terreno do Paços de Ferreira), Arouca e Vizela. O Famalicão, no sofá, acabou por beneficiar do empate dos beirões e, por ter vantagem nos critérios de desempate, já selou a garantia de que continuará na I Liga. Apesar de vários ainda podem fazer 33 pontos (à exceção de Belenenses e Moreirense), os famalicenses nunca serão os piores destes, escapando ao play-off. Há ainda seis pontos para disputar e, na última jornada, dois confrontos entre aflitos: Moreirense-Vizela e Arouca-Belenenses. Eu, como sou dos antigos, sempre gostei dessas tardes de rádio, onde a cada minuto há uma esperança diferente.

PS: A UEFA vai mexer na Champions em 2023/24 e vai subir de 32 para 36 as equipas na fase de grupos, aumentando o número de jogos e apertando os calendários nacionais. Mas é o coeficiente histórico que a UEFA pretende fazer valer para essas quatro novas vagas que está a incomodar as ligas europeias, sobretudo as médias. Porém, o sepulcral silêncio dos clubes médios portugueses sobre estas matérias é algo que nunca percebi. Não deve ser pelas migalhas com que se têm contentado, até porque até os grandes lusos poderão sofrer com isso e ter menos jogadores para emprestar. Não percebo, confesso.