O forjador de talentos monta equipas temíveis

O forjador de talentos monta equipas temíveis

O Benfica lidera "sem espinhas", mas há em Braga um treinador e uma equipa que começam a incomodar a sério os grandes candidatos.

Seis jornadas, seis vitórias, liderança isolada, mas ainda assim não se pode falar já de futebol estilo rolo compressor do Benfica de Schmidt. Facto: contam as que entram e os falhanços adversários não contam para nada: quatro triunfos pela margem mínima (Casa Pia, Paços de Ferreira, Vizela e Famalicão), dois a arrasar (Arouca e Boavista). Rafa, João Mário e Grimaldo estão uns furos acima dos sonantes reforços encarnados, mas a procissão... A época é longa e o alemão não é nenhum imberbe à procura do seu lugar no firmamento, como até ajuda a comprová-lo os outros triunfos nas pré-eliminatórias e já na fase de grupos da Liga dos Campeões. Este é, com muita certeza, um dos melhores arranques do emblema lisboeta nos últimos anos.

Porém, o futebol que mais entusiasma tem sido o do Braga. Artur Jorge - homem da casa, forjador de talento nas equipas B e Sub-23 dos minhotos - tem montado onzes eficazes, que se apresentam, até desaire continuado, como temíveis para os seus adversários. O maior dos reforços - a permanência de Ricardo Horta (três golos) na equipa - é um trunfo a que junta uma dúzia de homens capazes de enfiar a "chichina" nas redes. Além dos cinco de Banza (para já, o melhor goleador do campeonato), há mais 16 golos repartidos por 11 colegas. Se juntarmos a isto a única perda de pontos o empate com um rival direto - o Sporting -, então o arranque de Artur Jorge não fica muito atrás do de Schmidt, já que também ele soma um triunfo europeu, precisamente o da sua estreia na edição desta época na Liga Europa (2-0 no terreno do Malmo).

Uns furos mais abaixo, FC Porto (terceiro) e Sporting (sétimo) cumpriram com o seu dever de candidatos ao título, batendo o Desportivo Chaves e o Portimonense (ver resultados na classificação, ao lado) com algum à---vontade, se bem que os algarvios, que apenas sofreram a sua segunda derrota contra quatro vitórias, mantêm-se no quinto posto, com mais dois pontos que os leões.

Importa, por outro lado, olhar o caso do Boavista, emblema que até esteve impedido de inscrever jogadores durante o defeso, mas não impedido de trabalhar para estar, com todo o mérito, no quarto lugar. Será este conjunto comandado por Petit que reclamará o estatuto de Boavistão? Do Bessa dir-nos-ão que o objetivo é a tranquilidade (leia-se permanência) o mais rapidamente possível. Ora, se esta chegar cedo...

Nota de rodapé para o rodapé da classificação: Paços de Ferreira e Marítimo ainda não pontuaram, sendo que estes últimos até estrearam João Henriques aos comandos da equipa. Mas ainda há 84 pontos reclamáveis por qualquer emblema até final da época. Siga.