Premium José Mourinho: de Special One a um como os outros, ou seja, a José Ninguém

José Mourinho: de Special One a um como os outros, ou seja, a José Ninguém

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"E, claro, ficou a pairar a questão: sem futebol atractivo e sem vitórias, apesar dos recursos excepcionais de que dispõe, como irá ele sobreviver?"

Um exército de críticos (jornalistas, comentadores, ex-jogadores) está a empurrar Mourinho para a intempérie, todos muito empenhados no derrube de um mito que eles mesmo ergueram. Pelo modo como ele festejou as últimas vitórias na Premier League, contra equipas modestas, já se tinha percebido que era um homem tenso e acossado, à beira do abismo. Conseguiu dar um passo atrás e manter-se vivo, mas o abismo continuou lá, a olhar para ele, e ontem, depois do lisonjeiro empate caseiro com o Wolves, voltou a encará-lo.

Quando o dito melhor treinador do mundo, como se isso houvesse, chegou ao também dito melhor clube do mundo (pelo menos, é o que tem a maior folha salarial, acima de 300 milhões/ano), pensou-se que de tal reunião iriam brotar vitórias sem fim, a começar, claro, pelo campeonato inglês. E no entanto... Na época passada, o clube acabou em segundo, mas a tal distância do outro Manchester que foi como se ficasse a meio da tabela; e já se percebeu que, nesta época, as coisas só podem piorar. Ainda assim, Mourinho lembrou alegremente aos críticos, depois da vitória em Watford, à 5ª. jornada, que estava "apenas" a seis pontos do grupo da frente (e já está "apenas" a oito, apenas à sexta jornada). Isso e gabar-se do segundo lugar da última época, que considerou um título, foram apenas dois dos vários sinais da corrupção da sua épica de vencedor. A seguir à derrota com o Tottenham (3-0, em casa), chegou mesmo ao ponto de lembrar aos jornalistas que a equipa tinha feito, enfim, o que tanto lhe pediam: bom jogo. Ele, que chamava especialistas do fracasso aos que viam beleza numa derrota, o treinador pragmático que sempre praticou a exclusiva arte de ganhar, mesmo em fealdade, convertido à poética do fracasso. Dá que pensar, tanto que, ainda há pouco, Paul Parker, ex-jogador do clube, disse que, com ele, o United pode ganhar isto ou aquilo, mas nunca irá praticar um futebol atractivo. Toda a gente sabe que é assim.