Opinião

PremiumJorge Coroado

§&§$#-se!

Que educação se preconiza para o futebol? Qual a atitude e comportamento que deverão evidenciar os profissionais? Pelo que vemos semanalmente, sobretudo nas ações disciplinares exercidas pelos árbitros, quais virgens cândidas, sobre jogadores, dirigentes e treinadores, tudo nos leva a crer estarmos perante um cenário em que os primeiros pugnam para que os segundos, no relacionamento com eles e os demais intervenientes, tenham cursado Teologia em alguma faculdade autorizada por bispo, eventualmente Filosofia, sejam ordenados diáconos e capazes de viverem em amor como um celibato ao serviço dos outros, duvidando-se mesmo se a castidade não será obrigatória enquanto profissionais do futebol. A forma ligeira, quiçá irresponsável, como é exercida a disciplina perante comportamentos, expressões e gestos menos ortodoxos permite formular juízo de exigência para que um qualquer treinador, dirigente ou jogador, ao enveredar pelo profissionalismo, demonstre ser capaz de provar a si e à comunidade futebolística que pode levar uma vida casta no âmbito social, laboral e intelectual, desnudar-se de comportamentos e expressões mundanas de conteúdo eminentemente proletário, ser feliz e saudável ao fazê-lo. Saber compreender díspares manifestações de alegria, enfado ou simples descompressão é missão de quem dirige um qualquer jogo de futebol. Futebol não é propriamente salão de baile, §&§$#-se!

PremiumClaudia Garcia

Racismo no futebol: sigam o exemplo do Nápoles, abandonem todos o jogo 

Continuo a achar que a Itália está um passo à frente dos demais no combate a algumas injustiças desportivas. Na arbitragem, foi dos primeiros países a implementar o VAR e a aceitá-lo. Há mais de uma década que combate a corrupção e o problema das apostas no futebol, dando a sensação errada de que estes crimes só acontecem em Itália. Agora, Carlo Ancelotti e o seu Nápoles indicam um possível caminho para combater este grande problema que é o racismo no futebol. Os adeptos e os jogadores do Nápoles são constantemente alvo de coros, canções e faixas racistas nos estádios. Principalmente no norte do país. No último jogo em Bérgamo, contra o Atalanta, os jogadores ameaçaram abandonar o relvado em caso de sons a imitar macacos ou outros insultos semelhantes. Em Bérgamo, não foi necessário, mas o clube está convencido de que quando voltar acontecer, os jogadores devem fazê-lo. Ancelotti é o cabecilha desta ideia que foi amadurecida nos últimos anos perante a incapacidade de os órgãos que gerem o futebol resolverem o problema. "Vamos parar de fazer de conta que somos surdos?", é o mote lançado pelo treinador, e que me agrada cada vez mais.