DESCALÇO NA CATEDRAL - Esta é a hora de vermos as coisas como elas são: Vieira tem de sair e levar Jesus com ele. Sim, também eu venho aqui buzinar o meu carinho. A responsabilidade não é uma palavra vazia. É uma atitude, traduzida em gestos concretos. Está na hora de a assumir.
Um esconde-se, o outro grita. São duas reações de culpa e desespero. Um escolhe a fuga; o outro, a fuga para a frente.
Mas, não, Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus não calarão os benfiquistas. Podem tentar os truques de comunicação que quiserem; não nos vamos deixar enganar.
O Benfica - que hoje faz 117 anos! - é muito maior do que os interesses individuais do presidente e do treinador. Esta é a hora de vermos as coisas como elas são: Vieira tem de sair e levar Jesus com ele. Sim, também eu venho aqui buzinar o meu carinho.
Se não bastam os "danos reputacionais" que este presidente vem causando ao maior clube do mundo, se não basta a grosseira sobranceria deste técnico para com adeptos, jogadores e todos os que o criticam ou questionam - olhemos para o que tem sido esta época. Íamos ganhar tudo, jogar o triplo, arrasar; afinal, perdemos tudo, jogamos abaixo dos mínimos e somos arrasados... E se isso ainda não chega - se não basta a catástrofe futebolística desta época benfiquista, em que falhámos o acesso à Liga dos Campeões, perdemos a Supertaça, fomos eliminados na meia-final da Taça da Liga, desperdiçámos a passagem aos oitavos de final da Liga Europa e, no campeonato, arrastamo-nos em quarto lugar, a quinze pontos do primeiro -, se isso tudo não chega, caramba, escutemos o silêncio ensurdecedor do presidente. Ou atentemos no número de farsa falhada que foi a conferência de Imprensa do ainda técnico do Benfica.
Então, o treinador é sempre responsável, exceto quando não é? Então, a pandemia é mundial, mas o Benfica é que se espalha ao comprido? Então, ninguém tem culpa? Ou talvez a culpa seja de quem critica e buzina, não é verdade?
O problema é que, entretanto - para usar a expressão de David Luiz sobre a nossa eliminação da Liga Europa -, o futebol "dói" como tudo. Houve, pelo menos, dois lances, relances, de bola-maravilha na quinta-feira: aquele chutaço perfeito de Diogo Gonçalves, arrumando o esférico na gaveta proverbial; e a magnética corrida de Rafa, o nosso supercraque, adivinhando o caminho da redondinha e acompanhando-a, a salvo de qualquer pretensão do guarda-redes londrino, até dentro da baliza. Mas, depois, que tristeza... A falta de liderança deitou tudo por terra.
No final da partida, mostrando não ter aprendido nada, Jorge Jesus ainda foi capaz de culpar os jogadores que defendiam nos lances de golo. São os penáltis por marcar, é a covid, é este ou aquele jogador - só ele, o iluminado intocável, é que nunca tem culpa nenhuma... Não, não e não. A responsabilidade não é uma palavra vazia. É uma atitude, traduzida em gestos concretos. Repito: res-pon-sa-bi-li-da-de. Está na hora de a assumir.
Esta é a hora de
vermos as coisas
como elas são:
Vieira tem de sair
e levar Jesus com
ele. Sim, também
eu venho aqui
buzinar o meu
carinho. A
responsabilidade
não é uma palavra
vazia. É uma
atitude, traduzida
em gestos
concretos. Está na
hora de a assumir
