O talento está no mercado e cada vez mais difícil de segurar. Um dia destes serão apanhados os próprios clubes.
Bruno Fernandes e Tapsoba já foram, Trincão fica mais uns meses mas tem garantido um contrato de sonho com o Barcelona a partir da próxima época.
É o futebol português a cumprir, mais do que um fado, um desígnio, um financiamento sobrevivente. A liga portuguesa fica mais pobre e reinventa-se, não é novidade, mas não deixa de ser complicado constatar a cada vez maior incapacidade para reter o talento um pouco mais de tempo, até os jogadores amadurecerem um pouquinho, se calhar aquele bocadinho fundamental para lhes reduzir o risco de insucesso.
A saída de Bruno Fernandes para um grande mercado era inevitável, com outra camisola talvez já tivesse ido antes e por mais dinheiro, mas o Manchester United não corre riscos. Leva um valor seguro e com experiência de emigração. Emigração pobre, a lutar pela vida e a dar valor ao sucesso trabalhado. Os casos de Trincão e Tapsoba são diferentes. Têm ambos 20 anos, muita capacidade e necessidade de um trabalho sustentado capaz de fazer deles as certezas prometidas. Num mercado enlouquecido, e que antes de se recompor (será?) vai passar à insanidade completa na última janela de compras pré-Brexit, os clubes não podem desperdiçar os encaixes financeiros nem roubar oportunidades douradas aos jogadores. A seguir? Cumpre-se a sina: descobrir novo talento, potenciar a qualidade e vender sem tempo para chorar.
Mais triste vai ser quando a sobrevivência de alguns clubes portugueses passar pelo estatuto de satélites de emblemas estrangeiros com poder económico. O Lille está de olho no V. Setúbal, o Lyon trabalha para agarrar o Farense. Chamam-lhe parcerias. Retórica!
