Varandas ainda não percebeu que a AG destitutiva terá lugar no relvado de Alvalade
RUGIDOS DO LEÃO - A crónica semanal de Samuel Almeida em O JOGO
Um dos traços característicos dos grandes clubes - para além da sua história, palmarés e dimensão da massa adepta - é o inconformismo típico dos vencedores perante a derrota.
Ninguém já acredita em coisa alguma em Alvalade, a começar pelo grupo de trabalho
A derrota num clube como o Sporting nunca é, nem pode ser vista como um fenómeno banal, ou pior, uma fatalidade. A história do Sporting CP é feita de glória, de superação, de inconformismo e vontade indomável de vencer. Aliás, é essa resiliência e vontade de vencer emprenhada na cultura do clube e da sua massa associativa que tem permitido sobreviver a décadas de insucesso no futebol.
O Sporting é grande pela sua história, mas também porque a busca incessante do sucesso marca gerações e passa de testemunho em testemunho como marca indelével do ADN do clube. É esse inconformismo que tem alimentado o sonho e a ilusão de milhões de adeptos, perante a perplexidade dos nossos rivais que não entendem este amor e paixão incondicionais. É esse inconformismo que exigimos aos nossos dirigentes, atletas e treinadores.
No Sporting, não há espaço nem tolerância para quem não entenda o peso da camisola leonina e a responsabilidade de representar o símbolo do leão rampante. Podemos não ganhar, mas exige-se atitude, compromisso, ambição, vontade indomável de vencer. No Sporting, não há jogos em que a derrota seja aceitável. Quem não entender isto, não pode estar em Alvalade, sendo que o clube estará mais perto do abismo no dia em que esta cultura coletiva de vitória desaparecer.
Dito isto, não podemos deixar de olhar com alarmismo para a presente época futebolística. A equipa disputou até à data 23 jogos oficiais, acumulando nove derrotas e dois empates e um score de 34-31 em golos. São nove derrotas, sendo que a última, em Linz, só nos pode fazer corar de vergonha. Para além da derrota por 3-0, a equipa fez, em 90 minutos, quatro remates contra 29 do adversário (um na segunda parte), e zero cantos contra 11 de um clube que ocupa o 97.º lugar do ranking da UEFA e investiu 5 M€ em reforços.
Um montante irrisório face ao que a administração da SAD leonina desbaratou em aquisições. Aliás, do 11 que entrou em Linz, seis jogadores foram contratados por Frederico Varandas, sendo que, ao contrário do afirmado por Silas, não se tratou de uma equipa da formação, pois que apenas quatro dos titulares são jovens provenientes de Alvalade - Rodrigo Fernandes, Miguel Luís, Rafael Camacho e Pedro Mendes.
Pior que a derrota foi a imagem deixada em Linz, bem como o conformismo que se lhe seguiu
Tudo o resto é o resultado do scouting e das apostas desta administração. Rosier custou mais que todos os reforços do Linz. E como joga a equipa austríaca: pressionante, futebol largo, intenso, tudo estudado ao pormenor, nomeadamente nas bolas paradas. O mais engraçado é que o Linz já disputou mais sete jogos oficiais que o Sporting - tem 30 jogos - e não se viram poupanças.
Não se pode poupar uma equipa inteira quando está em causa o prestígio europeu do clube e assegurar o estatuto de cabeça de série no sorteio seguinte! Para Silas, haveria que poupar para não pôr em risco o resto da época, mas pergunta-se: qual época? O Sporting tem objetivos nas outras provas? Silas - que já cometera o mesmo erro em Alverca - parece não ter ainda percebido o clube que representa. E, se assim é, é porque a estrutura existente em Alvalade não lhe passou adequadamente a mensagem.
Pior que a derrota foi a imagem deixada em Linz, bem como o conformismo que se lhe seguiu. Depois da goleada na Supertaça, depois da humilhação de Alverca, a derrota de Linz foi apenas mais uma para esta equipa e estrutura do futebol profissional. Ninguém já acredita em coisa alguma em Alvalade, a começar pelo grupo de trabalho.
O Sporting já teve nos últimos 20 anos derrotas similares a esta, mas nunca observei tamanha resignação e conformismo com a mesma. Estamos a habituar-nos a este registo e, no dia em que aceitarmos como normal este tipo de desaire, então estaremos condenados ao estatuto de menoridade que os nossos rivais nos querem atribuir. Pior que perder, é perceber que já não contamos para o Totobola e que nos resignamos com este estado de coisas.
Não foi Alcochete que montou esta equipa de futebol que mostra uma total incapacidade de mobilizar o clube, encontrar soluções e apontar um caminho. Como afirmou um amigo meu, Frederico Varandas ainda não percebeu que a AG destitutiva terá lugar no relvado de Alvalade e não no Pavilhão João Rocha. Deprimente.
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