UEFA nomeou Stéphanie Frappart para a Supertaça Europeia. Oportunismo ou oportunidade, há que aproveitar
Esforço-me por acreditar na pureza da nomeação da francesa Stéphanie Frappart para arbitrar a Supertaça Europeia. Uma mulher a apitar uma espécie de final da UEFA entre equipas inglesas, os inventores do futebol e do fair play, sendo o jogo disputado na Turquia, onde ser mulher continua uma tremenda complicação, é um cenário demasiado perfeito.
Espero que tenha sido o trabalho desenvolvido por Frappart no Mundial feminino, cuja final dirigiu, a levar Roberto Rosetti, responsável da arbitragem da UEFA, a fazer a nomeação e não um qualquer aconselhamento da estrutura dirigente, que tanto se tem montado no crescimento do futebol feminino para fazer dele uma bandeira de modernidade e evolução.
Deseja-se agora que Stéphanie Frappart aproveite da melhor forma esta oportunidade ímpar. Chegou à II liga francesa masculina em 2014, arbitrou o primeiro jogo da liga principal a 1 de abril de 2019, entre Amiens e Estrasburgo. Apitar a Supertaça Europeia quatro meses depois de se estrear numa primeira liga nacional não estaria ao alcance de qualquer homem, nem que andasse há dez anos a arbitrar futebol feminino. Mesmo tratando-se de um atropelo às normas vigentes, há uma questão importantíssima a ponderar: é que esta pode ser uma forma trôpega de corrigir injustiças. Provavelmente, a esta Stéphanie e a muitas outras Stéphanies da arbitragem por esse mundo fora foram negadas oportunidades, não custa nada a acreditar que tenham sido discriminadas no jogo que era dos rapazes. Se este passo anormal permitir corrigir anormalidades, que seja dado sem hesitação. A única questão importante a valorizar é a competência. Será?
