FC Porto e Benfica cumpriram com a obrigação, V. Guimarães agarrou o quinto lugar e Braga continua lá em cima.
Num jogo de futebol entre elefantes e ratos, o extremo-esquerdo dos ratos ganhou a linha, passou pelo defesa-direito dos paquidermes, que o rasteirou. O rato ficou estendido, morto. O elefante que provocou a morte ficou inconsolável, a chorar. Num gesto de fair play, o capitão do ratos chegou-se junto ao elefante e consolou-o com estas palavras: "Deixa lá, pá, o que nos aconteceu a nós podia-vos ter acontecido a vós." Com esta anedota, que me faz feliz sempre que me lembro dela, conclui-se que as fatalidades acontecem e que o futebol até pode ser uma coisa muito divertida. Uma chicotada psicológica é uma diversão. Às vezes resulta, outras não. Olhem o Chaves que está, como tantos, na zona de aflição, e arrancou de Mota direitinho à vitória, algo que já não conhecia há cinco jornadas, e deu nova força ao crer transmontano, confundindo ainda mais o fundo da tabela que é um fundo muito largo, porque chega quase a meio do poço. Poucos estão livres de preocupações. Mota voltou às Aves, o local do crime (porque só pode ter sido crime ganhar a Taça de Portugal, por isso o mandaram embora) e foi letal. No topo da classificação não há diversão nenhuma: os dois primeiros ganharam como quase de costume e continuam juntos numa luta renhida, animada, que passa para lá das quatro linhas e maravilha as conversas de café, daqueles cafés onde ainda se lê o jornal da casa, que são os locais onde a opinião é mais pura, mais genuína, mais apaixonante.
