A opinião de Manuel Queiroz.
Não se podem tirar grandes conclusões do primeiro jogo pós-covid da Seleção, até porque alguns jogadores há uma semana estavam na praia, mas pegando no que costuma dizer Fernando Santos, com os três ases, Portugal é candidato, com o quarto passa a ser favorito. Nunca Portugal teve uma quantidade de jogadores ofensivos de qualidade como tem agora.
12693812
A Croácia só tinha quatro titulares da final do Mundial 2018, perdida (4-2) frente à França, mas isso não impediu Portugal de fazer o resultado mais desnivelado e com mais golos da primeira jornada da Liga das Nações, jornada que acabou ontem. Só com três ases (faltava o quarto, Cristiano Ronaldo, só estavam Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Félix), a Seleção portuguesa dominou como quis, ontem, no Dragão, e ao intervalo já tinha feito 13 remates, três dos quais aos ferros e um com golo, de Cancelo, de fora da área, com o pé esquerdo.
Foi um grande início de Liga das Nações, que Portugal ganhou no Dragão há um ano, ou seja, a seleção de Fernando Santos jogou sem ponta-de-lança - era João Félix que aparecia ali -, mas jogou com a bola. Perante uma equipa com jogadores grandes, Portugal tinha um trio de ataque com Bernardo Silva (1,73m), João Félix (1,80m) e Jota (1,78m), tudo gente relativamente baixa mas que sabe jogar a bola. A Croácia foi fraca, mas Portugal trabalhou muito, ganhava a bola rapidamente e chegou a ter 60% de posse de bola (acabou 56-44%), 20 remates, 7-4 em cantos, 11-8 em faltas. Um jogo muito pouco agressivo da parte dos croatas permitiu esse jogo muito de bola no pé de um onze com um elevadíssimo nível técnico.
Não havia então CR7, como não houve na fase de grupos da primeira Liga das Nações, e a verdade é que Portugal fez uma demonstração de bom jogo. Faltaram jogadores à Croácia, mas faltou-lhe, sobretudo, jogo e bola. Portugal não a deu e, às vezes sem Ronaldo, a equipa até joga de forma mais harmoniosa.
A França ganhou na Suécia e agora recebe a Croácia, enquanto Portugal vai à Suécia. O grupo é muito difícil, esta fase acaba em Novembro, é muito rápido e, numa altura em que a Liga dos Campeões estará a ser jogada, prova que este ano será em três semanas seguidas em cada volta, o que vai levar a um enorme desgaste. Mas Portugal tem hoje uma profundidade de plantel que lhe permite discutir qualquer prova. João Félix e Jota estrearam-se a marcar pela Seleção e não foi com Gibraltar, foi com a Croácia.
