RUGIDOS DE LEÃO - Um artigo de opinião de Samuel Almeida.
1 Dizem que o tamanho não conta, mas pode fazer a diferença. Em Moreira de Cónegos fez. Por dois centímetros foi anulado um golo a Pote num estádio que não reúne todas as condições técnicas para a tecnologia do VAR.
Não discuto a bondade da decisão, mas sim a falta de transparência de todo o processo, colocando a discussão da validade de um golo à distância de um frame, da colocação de uma câmara, do posicionamento das linhas.
Para terminar esta discussão, é bom que sejam tornadas públicas as comunicações do VAR com o árbitro, bem como os requisitos técnicos a que deve obedecer a colocação das linhas de fora de jogo. Quem gere o jogo devia explicar a todos os adeptos porquanto se teme tanto a transparência.
2 O Sporting não empatou em Moreira de Cónegos por causa do árbitro, para que fique claro. Mas temos azar com João Pinheiro, na mesma proporção que outros parecem ter muita sorte. Não é aceitável, sob nenhuma perspetiva, a entrada duríssima sobre Nuno Mendes, nem o critério largo utilizado por João Pinheiro.
Mas o que é extraordinário é que este mesmo árbitro utilizou um critério apertadíssimo para Fransérgio, expulso no jogo com o Benfica com cerca de meia hora de jogo e com duas faltas normais - já nem falo no incrível penálti assinalado. O que mudou em 15 dias? É nestes detalhes que hoje em dia se joga no campeonato da arbitragem, daí talvez toda a resistência ao caso Palhinha. O que é verdade e objetivo é que temos o mesmo árbitro com leituras e critérios disciplinares totalmente díspares em dois jogos seguidos. Para o Sporting foi um azar, para o Benfica costuma ser uma fortuna ter este senhor a apitar.
3 Por falar no Braga-Benfica, apitado pelo senhor Pinheiro, destaco a reação dócil do presidente insolvente, que mais parecia um arrufo de namorados. Dois namorados com muitos negócios em comum. É por estas e muitas outras que o Braga não merece mais que o 4.º lugar, por muito que espumem e se coloquem em bicos de pés com o Sporting.
4 A campanha da equipa leonina não fica abalada por este empate, nem a confiança que nos merece Rúben Amorim e seus discípulos. A receita é a mesma: manter o foco, concentração total e máxima ambição. Mas temos de retirar ilações deste jogo, pois ele é a consequência de um padrão comportamental preocupante da equipa leonina. Se atentarmos no final da primeira volta, a equipa tinha 36 golos em 17 partidas, sendo que decorrida metade da segunda volta, em 8 jogos temos apenas 11 golos. A equipa cria muito menos oportunidades, coloca menos gente na frente de ataque, tem menos profundidade e repentismo. E se parte destes efeitos se deverão a uma opção tática - parece-me óbvio que, com este 3x5x2 e Paulinho, Rúben está a transformar a equipa numa lógica de predomínio da posse e controlo do ritmo de jogo - o resto fica a dever-se a uma opção estratégica que se me afigura perigosa. O Sporting assim que se apanha a ganhar quase que abdica de procurar afincadamente o segundo golo, optando sistematicamente pela mera gestão do mesmo, numa crença quase infalível de não sofrer golos. Foi assim no Dragão, foi assim com o Santa Clara, V. Guimarães e Moreirense, só para citar alguns jogos. Em Moreira de Cónegos, fizemos um golo na primeira oportunidade e só voltámos a ameaçar a baliza adversária perto do intervalo, com novo golo desta feita invalidado a Paulinho.
É curto para o líder do campeonato e, sobretudo, é muito perigoso, pois deixa o jogo sempre aberto e sobretudo cria a convicção no adversário de que tudo ainda é possível. Rúben saberá melhor do que ninguém como gerir esta equipa, mas, entrando na fase decisiva da época, gostaria de ver a equipa leonina a procurar arrumar os jogos e só depois geri-los. Fica a sugestão, na expetativa de uma reação categórica frente ao Famalicão.
5 Toda a conversa em torno do alegado feitio destemperado de Sérgio Conceição é uma treta, como se viu em Sevilha. O treinador portista sabe comportar-se, vive é num clima de total impunidade cá dentro. Lá fora, pia fininho que o respeitinho é muito bonito e a UEFA não brinca. Mas isso interessa pouco a figuras como Pedro Proença, Sónia Carneiro ou a nossa ilustre presidente do CD.
