A análise de Manuel Queiroz à 29.ª jornada da I Liga.
O FC Porto saiu da jornada 29 com seis pontos de vantagem sobre o Benfica e basta que ganhe os seus três jogos em casa (Belenenses, Sporting e Moreirense) para se declarar campeão.
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Foi excelente para os portistas nos pontos, mas não na qualidade de jogo, que continua intermitente, para dizer o mínimo. Mas o Benfica perdeu e verdadeiramente já só a equipa de Sérgio Conceição é que pode perder o campeonato. É esse o estado de coisas a cinco jogos do fim.
Há já quem equipare esta campeonato ao de 2005, ganho pelo Benfica de Trapattoni, que também jogava pouco e que não conseguia o título desde 1994. Mas só em termos de qualidade de jogo essa comparação pode subsistir, porque não só neste caso há o hiato pandémico de três meses, como, em termos de pontos, as pessoas já nem se lembrarão mas foi algo que nunca se viu: num campeonato a 18 equipas, o Benfica foi campeão com apenas 65 pontos, com sete derrotas e oito empates (um larguíssimo máximo de derrotas neste século), enquanto o FC Porto fez 62 (seis derrotas e 11 empates) e o Sporting 61 (nove derrotas e sete empates). Esta época o FC Porto ainda pode fazer 85 pontos, enquanto o Benfica é que não chegará sequer aos 80, a primeira vez que isso acontecerá desde 2015, quando a Liga passou outra vez a 18 equipas.
Tenho curiosidade em saber onde vai continuar a treinar Bruno Lage. Não é indiferente, até para se perceber melhor estes 17 meses
Foi a jornada do fim da linha para Bruno Lage como treinador do Benfica, 17 meses que não chegaram para o consagrar definitivamente. Perdeu na Madeira - depois de boa primeira parte - e acabou-se para Luís Filipe Vieira. Laje foi vítima do seu sucesso na época passada, em que conseguiu disfarçar uma defesa que já então não era fiável - na Madeira, quatro bolas foram à baliza e quatro golos (só valeram dois). Tenho curiosidade em saber onde vai continuar a treinar Bruno Lage. Vai ser um passo importante na sua carreira porque lhe falta tempo de treinador principal para perceber até onde pode ir. Vai para o estrangeiro? E para a Arábia Saudita, ou ambiciona um campeonato europeu para competir com os melhores? Não é indiferente, até para se perceber melhor estes 17 meses.
Neste campeonato triturador de treinadores, Rúben Amorim vai ganhando com juniores e alguns seniores e consolidando o terceiro lugar. O Braga perdeu em Vila do Conde num dos melhores jogos da Liga e volta a perder o treinador, que bateu com a porta. O nosso campeonato é mesmo estranho - os treinadores não aguentam nem quando as suas equipas jogam bem.
A FIGURA - Nanu
Não passou a ser o melhor jogador do mundo, mas as suas três arrancadas frente ao Benfica mostraram que fisicamente está acima de muitos. E o físico é uma das partes importantes do futebol competitivo.
O GOLO - Marcus Edwards
Grande golo a abrir o marcador frente ao Setúbal (outro treinador à vida...). Rapidez, coordenação, capacidade técnica. Mas ainda não é um produto acabado.
O CASO - Quem ganha
João Henriques lamentou, após a brilhante vitória do Santa Clara na Luz, que os jornais tenham dito que foi o Benfica que perdeu. Tem alguma razão mas depois, na jornada seguinte, perde no Bessa e...
