Qualidade dos candidatos a sagrarem-se campeões foi bem evidente. Até na forma como o Benfica jogou em inferioridade.
Os cinco primeiros classificados da época passada entraram todos a ganhar na nova temporada. Coincidência? Não creio. Aliás, independentemente da ordem no final da temporada, dificilmente os quatro primeiros em 2020/21 vão deixar de ocupar um lugar no top-4.
Deixemos de fora a análise ao Paços de Ferreira - quinto na última liga e que venceu o Famalicão -, e falemos dos desempenhos de Sporting, FC Porto, Benfica e Braga, os três primeiros assumidos candidatos ao título, o último com esse sonho.
Coube ao campeão em título dar o pontapé de saída na Liga Bwin, numa receção ao recém-promovido Vizela, e a resposta da equipa de Rúben Amorim esteve ao nível da já demonstrada na Supertaça, conquistada diante do Braga. Solidez defensiva, imagem de marca na época passada, uma equipa solidária e eficaz num ataque onde Pedro Gonçalves continua a fazer a sua magia. Dois belos golos antes de Paulinho fechar o 3-0 que vale já a liderança a par do Tondela e Gil Vicente. Sejam os leões capazes de segurar as suas figuras e, face aos reforços garantidos, terão ainda mais argumentos para lutar pelo bicampeonato.
Vice-campeão e única equipa que, verdadeiramente, ainda ameaçou a festa do leão, apesar da diferença de cinco pontos no final, o FC Porto deixou água na boca aos seus adeptos. Na receção ao Belenenses, os dragões conquistaram os três pontos com um triunfo por 2-0, mas podiam ter construído resultado bem mais dilatado. Revelaram já uma boa dinâmica ofensiva e solidez defensiva. Individualmente, dois destaques: João Mário e Luis Díaz. O primeiro parece definitivamente convertido em lateral direito, onde já terminara a época passada com boas exibições, e com a sua qualidade técnica ofereceu o segundo golo do jogo ao colombiano. Este, após uma Copa América de sonho, parece pronto para ser uma das estrelas do campeonato e, verdade seja dita, com a qualidade que tem só precisa de juntar-lhe regularidade durante a época.
Sábado, um dia antes de jogar o FC Porto, o Benfica foi a Moreira de Cónegos ganhar por 2-1. A equipa de Jorge Jesus foi a que passou por maiores dificuldades, mas mesmo com seis mudanças em relação ao jogo realizado em Moscovo para a Champions, as águias podiam ter a partida completamente resolvida ao descanso. A expulsão de Diogo Gonçalves, aos 56", foi a causa principal para as dificuldades, mas mesmo em inferioridade o Benfica mostrou solidez para segurar a vantagem. Com um plantel vasto em qualidade individual, Jesus tem tudo para fazer esquecer a época passada (acabou a nove pontos do campeão) e liderar uma equipa competitiva.
Sempre à espreita de encurtar um pouco mais a distância para os "grandes", o Braga venceu, por 2-0, no sempre difícil terreno do Marítimo, com algumas boas notas antes de receber o... Sporting.
Artilheiro: Pote rima com golos
Pedro Gonçalves fechou com chave de ouro a época anterior, sagrando-se melhor artilheiro graças ao hat trick diante do Marítimo. Sexta-feira, o internacional luso fez os dois primeiros golos do Sporting e da Liga Bwin 2021/22, confirmando uma relação especial com o golo e um talento valioso.
Cobiçado: Beto continua a valorizar-se
Beto foi um dos nomes mais falados de todo o defeso, depois dos 11 golos e boas exibições pelo Portimonense na época passada. Certo é que continua para já no Algarve e ofereceu, em Guimarães, o primeiro triunfo da época à equipa de Paulo Sérgio, assinando o único golo do desafio.
Público: abaixo das expectativas
Depois de quase ano e meio com as bancadas despidas, esperava-se maior adesão do público na primeira jornada, até pelas limitações que ainda vigoram. O cartão do adepto, obrigatório em zonas específicas, não explica tudo. Difícil de perceber como é que o Sporting deixou oito mil lugares por preencher.
