DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz
A chegada de Francisco Trincão, nos moldes em que se concretizou, foi a melhor notícia do defeso do Sporting. Com ele, podemos recuar Pote para o meio-campo, caso seja essa a ideia do treinador, e ainda nos sobram Edwards, Rochinha, Issahaku e Tabata como extremos, embora me pareça que o último não vai ficar.
O negócio convence: 10 milhões por metade do passe. Igual ao de Vinagre, com a diferença de Trincão ser, de momento e no que se adivinha, muito mais jogador.
Além disso, não envolve cláusulas como a do acordo entre Porto e Braga para a transferência de David Carmo, uma autêntica vergonha. Pelos vistos, a última moda aqui em Portugal - o empresário Mário Ferreira que o diga - é desafiar os limites da legalidade. Dragões e guerreiros inscreveram aquela esperteza no contrato como quem atira o barro à parede, por saberem que na tutela do futebol nacional há muito quem conceda em comer gelados com a testa. Pinto da Costa falou recentemente da silly season, para dar mais uma das suas tão queridas bicadas nos rivais, mas acabou por ser dela o principal intérprete. Felizmente os tolos dos rivais não estavam a dormir. A ver vamos no que o imbróglio vai dar.
Quanto ao Sporting, resta agora definir a situação de Matheus Nunes e trabalhar a comunhão dos espíritos para atacar a nova época. Sendo sincero, na minha opinião não é só isso, falta encontrar um número 9 que compita com Paulinho, mas se Rúben Amorim mantém a "teimosia" de prescindir dele eu dou-lhe o benefício da dúvida. Caso o craque elogiado por Guardiola fique mais um ano, temos o assunto plantel arrumado. A baliza parece bem entregue, a defesa teve o acréscimo de rapidez de que necessitava, o eixo do meio-campo recomenda-se, as alas vendem saúde e a frente de ataque, móvel ou com um homem fixo ao centro, não deslustra.
Se Matheus sair, será preciso perder o amor a alguns dos milhões deixados pelo clube comprador e arranjar um substituto à altura. Eu, pessoalmente, não torceria o nariz a André Almeida, médio do Guimarães que o Porto tem assediado. Era, além do mais, uma forma de evitar nova cláusula criativa. Mas não vamos pôr o carro à frente dos bois: para já contamos com o queimador de linhas que há quatro anos era padeiro na Ericeira.
O clube e a equipa estão em boas mãos. As mãos dos adeptos, essas, esfregam-se de ansiedade pelo início do campeonato.

