Visão periférica - Um artigo de opinião de Luís Estrela, selecionador de futsal feminino da Indonésia
Com o primeiro lugar já assegurado e a Polónia matematicamente eliminada, o contexto deste jogo da equipa das Quinas é "especial". Ainda assim, nenhuma das seleções entrará em campo apenas para cumprir calendário. Portugal quer fechar a fase de grupos com nove pontos, consolidar processos e gerir detalhes a pensar nos quartos de final - nomeadamente a situação disciplinar de Diogo Santos (em risco de exclusão).
A seleção portuguesa tem sido muito consistente, apresentando soluções coletivas para todos os momentos do jogo, com jogadores criativos em grande forma e uma identidade bem definida. Do lado polaco, o objetivo é sair do Europeu com dignidade competitiva. Trata-se de uma equipa fisicamente forte, em crescimento, que chegou ao torneio com estatuto de possível surpresa após a final da Taça das Nações frente ao Brasil. Tal não se confirmou, mas o potencial e os sinais de evolução são claros.
Os números ajudam a enquadrar a equipa. Frente à Itália, a seleção polaca produziu muito ofensivamente (35 remates, 15 enquadrados), explorou bastante o jogo de pivô, mas revelou ineficácia. Defensivamente, permitiu volume excessivo nos últimos 12 minutos (56 remates sofridos, 27 enquadrados, 22 cantos). Contra a Hungria, viveu um jogo emocionalmente instável - mostrou competitividade, mas pouco controlo. O regresso do capitão Kriezel traz liderança e agressividade ao bloco.
Portugal deverá procurar entrar forte e marcar cedo para depois gerir o ritmo do jogo e as transições adversárias. A vantagem inicial permitirá controlar o tempo, distribuir minutos, evitar riscos disciplinares e manter a identidade sem desgaste desnecessário.Liberta da pressão classificativa, a Polónia quererá demonstrar o seu valor e terá uma excelente oportunidade frente ao bicampeão europeu. Prevê-se um jogo competitivo, onde a consistência e a eficácia ofensiva da equipa portuguesa poderão ser determinantes.
