VISTO DE ITÁLIA - Resolveu bem o caso Dzeko e as especulações à volta de Paulo Fonseca, além de se ter saído bem no mercado.
Quem é Tiago Pinto? Poucos conheciam este nome até o jovem diretor português desembarcar em Roma com máscara e com covid.
No Benfica, víamo-lo de vez em quando programar os placards eletrónicos das substituições, ouvíamos alguma declaração aqui e ali, mas nunca foi um protagonista, um porta-voz, nem um líder.
Esta é a grande questão: por que é que o Benfica o tinha tão escondido? Em termos operativos, Tiago Pinto ainda tem de demonstrar que é realmente um diretor-desportivo para um grande clube, só o tempo o dirá. Mas em menos de um mês já demonstrou que é um grande comunicador, hábil nas palavras, e um bom gestor de personalidades.
Em três semanas em Roma, este homem já teve que gerir o equivalente a dois anos no Benfica e saiu-se bem. Muito bem. Não era fácil, principalmente porque nem toda a gente na estrutura do clube engoliu a sua contratação, nem os seus pluri poderes no mercado. Traduzindo por miúdos: são muitos os que esperam o seu primeiro passo em falso para o destruir. Ele sabe.
Tiago Pinto chegou com covid no início de janeiro e ficou confinado num hotel. Que terrível início. Mal saiu à rua, a Roma perdeu o dérbi por 3-0, mas as coisas ficaram ainda piores. Passados poucos dias, a Roma também foi eliminada da Taça de Itália com consequências: dois diretores despedidos pela história das seis substituições, ambiente caótico na cidade, choque entre Paulo Fonseca e Dzeko e outra vez a história do Allegri.
Tiago Pinto pegou e resolveu um a um. Com calma, por vezes levando demasiado tempo para comunicar, mas quando o fez, fê-lo de forma determinada, confiante e assertiva. Ver o jovem diretor português numa conferência de imprensa é como assistir àquelas palestras de coaching: é estimulante e motivador. Ele não diz uma palavra a mais nem uma menos. Fala o suficiente e é sempre esclarecedor. Resolveu bem o caso Dzeko, com a reintegração do jogador no grupo, mas sem braçadeira de capitão (algum castigo tinha de ter, senão a Roma iria parecer um circo). Saiu-se bem no mercado com as contratações de El Shaarawy e Reynolds, também resolveu bem as especulações à volta de Paulo Fonseca, negando qualquer encontro e reforçando a posição do treinador publicamente e mais importante: conseguiu recompactar o grupo. Tiago Pinto foi a grande surpresa de janeiro e o mais surpreendente foi o Benfica ter perdido um perfil como este.
