A análise de Manuel Queiroz à final da Taça de Portugal, que o FC Porto venceu frente ao Benfica por 2-1.
O FC Porto teve o condão, em dois dos três jogos com o Benfica esta época, de anestesiar completamente o adversário. Na Luz (0-2) e ontem em Coimbra (1-2), onde jogou uma hora com menos um homem e, mesmo assim, ganhou a sua 17.ª Taça de Portugal. Ganhou quem quis mais ganhar.
O Benfica foi mau contra 11 e não foi melhor contra dez.
O site da FPF diz que foi 3-3 em oportunidades de golo, o que me parece bom para o Benfica mas não verdadeiro, porque, além dos dois golos, o FC Porto teve mais duas oportunidades na primeira parte e ainda outra na segunda, já após o 0-2 (Marega não chega por pouco). O Benfica teve a bola ao poste de Jota e de resto... Este foi o Benfica da segunda parte da época, pré e pós-covid - mal com um ponta de lança ou com dois, mal com Weigl e depois com Taarabt. Ao intervalo saiu Cervi, que parecia o único com energia, e entrou Rafa, que deixou a velocidade não sei onde. Vinícius parece sempre mais perigoso que Seferovic (titular...) e marcou de penálti, que se aceita, mas, ainda assim, já agora, má arbitragem de Soares Dias do ponto de vista disciplinar. Os cartões aos jogadores foram quase todos mal dados, incluindo o primeiro de Luis Díaz. Não se expulsa assim numa final.
O FC Porto ganhou com dois golos de bola parada, e ambos por Mbemba, de cabeça. Depois da lesão de Marcano, o rapaz de Kinshasa teve a primeira oportunidade em anos para jogar com continuidade. E foi o melhor a defender e o melhor a atacar ontem, como tinha sido em vários jogos da parte final da Liga. Teve uma prenda e mereceu-a, como mereceu Sérgio Conceição, que tinha perdido duas finais de Taça e outras duas de Taça da Liga com azar. Preparou a equipa para mandar no jogo e com a mentalidade certa - agressiva sobre a bola, linhas subidas e metendo criatividade na posse. E com Diogo Costa na baliza, sem medo e dando um sinal importante. Mereceu porque em duas épocas faz quatro finais e na primeira ficou nas meias-finais, mas nos penáltis. É uma constância, convenhamos, fora do comum.
E ganhar a jogar com dez é obviamente um "plus" para os adeptos e um reconfirmar da superioridade sobre o grande rival. O Benfica tinha feito isso na Luz (meia-final da Taça, 3-1) e no Dragão (meia da Taça da Liga, nos penáltis) com Luís Castro no banco do FC Porto e Jorge Jesus no Benfica, em 2013-14. Seis anos depois, os portistas devolveram a dose numa final em campo neutro.
