FORA DA CAIXA - A opinião de Joel Neto.
Nos meus tempos de golfista afanoso, acabava um torneio e, como toda a gente, deixava-me a discutir com parceiros e adversários como tínhamos jogado. Havia sempre alguém que suspirava: "Puttei mal..." "Puttar", se se pode aportuguesar tal coisa, é bater aquela pancadinha com que se fecha o buraco.
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O que essa pessoa me dizia, no fundo, era: "Joguei muito bem, só falhei na concretização." E o que queria dizer: "A concretização é o que menos importa, porque é o mais fácil de corrigir."
Lembrei-me disso este fim-de-semana, quando Carlos Carvalhal reduziu a vitória do Sporting sobre o Braga à "eficácia", chavão entretanto repetido "ad nauseum" por jornalistas, comentadores e treinadores de bancada. Porque a minha perplexidade, no fundo, é a mesma. "A eficácia" é uma parte do jogo tão importante como as outras, se não mais. E jogar bem sem se ser capaz de concretizar, provavelmente, é o maior - e mais difícil de ultrapassar - dos defeitos.
Deus está nos pormenores, como dizia Malraux, mas o diabo também. No sábado, Carvalhal não se conseguiu livrar do Mal, enquanto Rúben Amorim voltou a encontrar o Bem. É um treinador que sabe ganhar os jogos, mesmo que ele próprio diga - porque é inteligente, auto-irónico, e porque sabe o valor da modéstia - que tem "uma estrelinha".
E tem-na, de facto. Mas, devendo-se em parte a essa estrelinha, às bancadas vazias ou ao excesso de competição dos rivais, o surpreendente percurso do Sporting não deixa de dever-se também a isso: o seu treinador sabe ganhar jogos. Mesmo que brevemente, já o tinha provado antes: sabe ganhar jogos, e essa qualidade talvez lhe seja ainda mais útil do que a maneira como gere os recursos humanos e a comunicação.
Vai ser um dos melhores treinadores portugueses, se não o é já. E os 13 milhões de investimento renderão uma dezena de vezes, com as transferências de jogadores e dele próprio.
