DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz
O jogo de ontem é o exemplo acabado de como pode um árbitro, longe do relvado, virar um jogo a seu favor. Digo a seu sem pejo de o fazer, porque o protocolo determina que o VAR só deve intervir em caso de erro evidente e ontem ele interveio para cometer, e não corrigir, um erro evidente.
E assim cavalga a vergonha no futebol português. Vêm agora, aposto, os juízes reformados corroborar, nos jornais em que escrevem ou opinam, a decisão de Hugo Miguel, chamado sem um pingo de nexo a ver as imagens. Se aquele lance tivesse acontecido com Porto ou Benfica nem repararíamos nele - e bem.
Com isso foi virada do avesso uma partida em cujo resultado também couberam, indesmentivelmente, culpas ao Sporting, sobretudo a partir desse lance ridículo, que parece ter posto a equipa fora de si. Porém, já na primeira parte houve desacertos que não se admitem a um conjunto que quer lutar pelo título nacional.
As saídas de bola foram miseráveis, com inúmeros passes falhados, como se os jogadores não treinassem durante a semana. Feddal, Coates e Inácio devem olhar para este jogo e corar de vergonha. Espera-se deles assertividade e precisão, mas o que mostraram foi uma irresponsabilidade intolerável, principalmente quando ainda ferve na memória aquele jogo contra o Santa Clara. Assim, o Porto pode encomendar já as faixas de campeão.
Depois, Paulinho. O que dizer mais dele? O Sporting tem um pretenso matador que só mata as jogadas de ataque. Pede-se-lhe que crie e finalize, não que sistematicamente desperdice. Ontem ficou claro o que de há muito tenho vindo a dizer: foi um erro clamoroso privar o plantel de uma alternativa ao pinheiro que veio de Braga. Contratar alguém para o lugar nesta janela de inverno já seria um gesto tardio, mas não o fazer é pouco menos que chocante.
Independentemente disso, o futebol da equipa está pobre, não tem beleza, envolvimento, criatividade. Tudo parado, sem dinâmica, suspenso de um passe que possa romper com o marasmo, como aconteceu no golo de Pote, uma das únicas coisas positivas que os adeptos puderam ver na noite negra de Alvalade. E mesmo aí Hugo Miguel, ou o seu fiscal de linha, para ser mais preciso, disse ao que vinha, inventando um fora-de-jogo surreal. Pergunto: por que raio levantou a bandeira?
O campeonato ganho na época passada foi mesmo uma surpresa. Este ano já se tomaram as devidas providências para que não volte a acontecer. Mesmo jogando pouco ou nada, o Sporting ficou com o jogo controlado a partir do 1-0 e a única hipótese que se vislumbrava para que o Braga pudesse reentrar na discussão do resultado era um brinde dos defesas ou um golpe de arbitragem. Brindes houve, mas não aproveitados. Então passou-se ao plano B. Parabéns a quem fez o seu trabalho. O Sporting, esse, esteve de folga. E Rúben Amorim deve explicar porquê.
