FORA DA CAIXA - Um artigo de opinião de Joel Neto.
Alguém devia dizer a Sérgio Conceição que o mau perder não atesta o seu compromisso para com o desejo de ganhar.
E que escasseia qualquer dimensão elogiável nele, já agora: é pecha, aliás tanto mais inquietante quanto se trata de um homem decente, dotado de emoções e - sabe quem o conhece - capaz de gestos de bondade raros.
Esperar que o país continue a suspirar: "O Sérgio é assim..." é também pedir que continue a condescender com ele. A condescendência só o diminui.
Um homem como ele, capaz de multiplicar pães e peixes, de vencer duas ligas em três (ademais perante limitações de investimento) e de viajar de enésima escolha a um dos treinadores mais memoráveis da história do FC Porto, não merece pôr-se em tal situação. É passional, o que denota ardor, mas podia dar o passo seguinte: acrescentar-lhe o cavalheirismo e a maturidade de perder, dominar-se e cumprimentar o adversário - por muito injustiçado que se sinta.
Apenas nessa circunstância, de resto, o "fair play" existe: porque custa. Talvez se deixarmos todos de achar graça a estas reações possamos ajudá-lo. Poderá, enfim, concentrar-se nos problemas defensivos da sua equipa e até, talvez, adquirir a resiliência que Rúben Amorim levou ao Sporting.
Vejam a floresta, sff
Esclarecido que houve erro, o Sporting devia deixar cair o diferendo com a DGS. Não é o primeiro nem será o último injustiçado deste tempo tenebroso.
Não foi de propósito. Há uma pandemia, e Portugal lidera mundialmente nos contágios (e é o segundo nas mortes).
