Será possível que Nuno Tavares esteja na montra para sair? É por estas e por outras...
DESCALÇO NA CATEDRAL - A opinião de Jacinto Lucas Pires, aos domingos n'O JOGO.
Há uns anos, Luís Filipe Vieira prometeu que a equipa do Benfica haveria de ser "a espinha dorsal" da Seleção.
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Quem lê estas crónicas sabe que não sou o maior fã da personagem - mas essa até era uma boa ideia. Imaginem o Benfica de hoje com Bernardo Silva, Renato Sanches, Rúben Dias, Nélson Semedo, João Cancelo, Gonçalo Guedes e João Félix? Somando-lhes Rafa, que, está, de facto no Benfica, mais Pizzi e André Almeida, que, desta vez, não foram chamados - já viram o equipaço que teríamos? Claro que o presidente que prometeu a tal da "espinha dorsal" é o mesmo que vende as joias antes do tempo. Antes de títulos e da construção de uma equipa de nível europeu, lá se vão os craques...
Sexta-feira, os jornais noticiavam o regresso ao trabalho da equipa do Benfica. É bom saber que o treinador chega cedo e que os jogadores estão animados por jogar no Glorioso. Mas bom-bom seria perceber que quem toma as decisões no futebol do Benfica passou a pôr isso - o futebol! - à frente do cifrão. O futebol e todo o desporto, claro. Afinal de contas, o Benfica é um clube desportivo, não um fundo de investimento ou uma plataforma de negócios. Será pedir demais? Por exemplo: Nuno Tavares. Têm aparecido muitas notícias sobre a venda do super-lateral. Serão rumores infundados ou já haverá negócios na sombra? Será possível que o jovem craque esteja na montra para sair? É por estas e por outras que a equipa do Benfica, não só não tem estado no seu devido lugar europeu (lá em cima, a discutir o título de melhor do Velho Continente), como até cá dentro fraqueja. Digamos que a única "espinha" que o presidente tem para apresentar é a que anda atravessada na garganta dos adeptos.
Têm surgido muitas notícias sobre a venda do super-lateral [Nuno Tavares]. Serão rumores infundados ou já haverá negócios na sombra?
Mas, por falar em palcos europeus - saltemos para o Euro. É hoje o grande dia, vem aí a Bélgica. A ver se ficamos bem na fotografia da História, caramba. Até agora, Portugal limitou-se a futebolar na expetativa. Da primeira vez, saiu-nos bem e desencaixámos a Hungria com três golos. Da segunda vez, saiu-nos mal e levámos com a frieza alemã mais vezes do que quero escrever aqui. Da terceira vez, foi um "comme ci comme ça" sofrido, mas suficiente. Agora é mesmo para jogar à bola: sem hesitações nem cálculos. Temos de ganhar, ponto final - isto é, ponto de exclamação!
Do que se viu até agora no Campeonato da Europa, a Bélgica é talvez a melhor equipa. A mais sólida e a mais completa. Não é um grupo de solistas, mas uma orquestra com alguns dos melhores intérpretes posicionados em lugares-chave (De Bruyne, Lukaku, Hazard). A nossa única hipótese é tirarmos-lhes a música. Temos de ocupar o espaço com um rigor matemático e, em cima desse quadriculado, esquecermo-nos dele para tornarmos a bola lírica - como só nós sabemos.
