Estão sempre nas mãos dos presidentes, que são os tipos mais importantes da nação e nem sabem marcar penáltis.
Apresento-lhes António Franco de Oliveira, ou melhor, Neném Prancha, para quem não sabe ficou conhecido como o "filósofo do futebol". Neném Prancha foi a alcunha que ganhou por ter 23 centímetros em cada mão e calçar 44 (este humor brasileiro...). Tentou ser futebolista, não conseguiu, virou massagista, roupeiro, olheiro, sempre no seu Botafogo, e dizia frases mirabolantes, como esta: "Penálti é uma coisa tão importante, que quem devia bater é o presidente do clube". Há quem diga que ele não dizia estas coisas, que eram os jornalistas brasileiros que as punham na boca dele, porque era uma figura muito simpática. Quando um dia lhe perguntaram se tinha sido ele mesmo a dizer a tal frase do presidente, Neném explicou: "O que eu falei é que o penálti é tão fácil que até o presidente pode bater".
A figura de Neném Prancha pode levar-nos a pensar que o futebol até pode ser uma coisa divertida, mesmo em tempo de pandemia. Os presidentes dos clubes são sempre vistos como pessoas distantes e importantes, ricas, ou pelo menos com algum dinheiro, carrancudas a maior parte das vezes, mesmo quando ganham, porque presidente tem que ser uma pessoa acima de todas as outras, não pode ser humilde, mesmo quando perde. E quando perde muitas vezes resolve o problema de uma vez - manda o treinador com as trouxas, porque a culpa não foi dele quando aceitou o projeto e assinou de cruz no início da época. É transversal - os presidentes sabem que o chicote é sempre o melhor remédio, e o que lhes deve custar quando não o podem usar... e gostavam de o fazer. Como o presidente do Marítimo, que levou sete na Luz, uma goleada à moda antiga. Aliás, os clubes da Madeira devem ter uma espécie de alergia à relva da Luz, porque saem de lá sempre sacudidos por um turbilhão de bolas dentro das suas balizas. Os presidentes têm outra arma muito importante - o voto de confiança, que, no fundo, é o esboço da carta de rescisão.
Os treinadores sabem que não podem confiar no voto de confiança, é melhor o silêncio. O presidente do Braga anda calado, pelo menos parece, mas lá no íntimo está farto do ziguezague de resultados da equipa. E provavelmente está convencido que deu a Carvalhal o melhor plantel do planeta. Não deu. Por alguma razão o treinador, que já foi exaltado até às estrelas por António Salvador, disse no final do jogo com o Belenenses que gostava de fazer reajustes no plantel em janeiro. Carvalhal sabe melhor do que nós todos, presidente incluído, o que falta e o que precisa. E oxalá que essas declarações não levem a um voto de confiança, porque os presidentes são bons a marcar penáltis, mas na própria baliza. Esta foi à Neném.
Sete golos
O Belenenses mantém, teimosamente, um registo notável - "já" marcou sete golos e o campeonato está quase a chegar a meio. Isto não será um exagero? Não me acredito que, neste caso, o problema seja do covid. Por muito que custe escrever isto, e custa, cheira a incompetência. Mas... estamos habituados; no fim, por muito que sofra, salva-se sempre o Belenenses.
Darwin/Díaz
Estes dois na mesma equipa formariam uma dupla explosiva. Depois de amanhã vão encontrar-se no Dragão, em lados opostos, com o sangue sul-americano a ferver também entre eles. Ganhe quem ganhar são dois futebolistas que contribuem para que o futebol seja algo de muito querido de todos nós. Estão ambos apaixonados, pelos golos, entenda-se.
Diogo Baía
Um dos melhores elogios que se pode fazer a Diogo Costa é que muitos portistas e amantes do futebol em geral veem nele um novo Vitor Baía. Não é fácil chegar onde chegou o antigo guarda-redes portista, mas Diogo tem condições para ser enorme. Está há 324 minutos sem sofrer golos no campeonato e, de repente, a malta já nem se lembra que no banco está "um tal" Marchesín...
