FORA DA CAIXA - A opinião de Joel Neto.
O novo modelo que a UEFA planeia para a Liga dos Campeões, revelado ontem no essencial pelo jornal "The Telegraph", não visa "fazer frente" à Superliga Europeia, como li algures, mas prevenir o seu nascimento. E, para isso, o primeiro recurso é ir ao encontro daquilo que pretendem os promotores da dita Liga, o que, em última análise, deixa os clubes de países como Portugal numa terrível posição.
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Se a proposta vingar, haverá menos espaço, menos teste competitivo e menos dinheiro para as equipas ditas "desinteressantes". Mas essa limitação de espaço, teste e dinheiro já se impunha aos clubes de uma série de países. A sua situação acabará por ser agravada também, só que a diferença nunca será tão grande como a que se imporá aos dos da orla inferior das Big 5, nomeadamente (e por ordem decrescente) Portugal, Rússia, Holanda, Bélgica, Áustria e Ucrânia.
Não tenhamos ilusões: a mobilização do G-14 seria sempre trágica para a visibilidade, as finanças e o crescimento do futebol português. Desde logo, esta recuperação de um posto de acesso à Champions torna-se temporária. E - pior - as vagas serão ainda mais limitadas em breve.
Não deixa de ser um paradoxo histórico. Em primeiro lugar, o advento do Brexit e a eleição de Joe Biden nos EUA legitimam novas expectativas quanto ao reforço da coesão europeia, urgente (por um lado) de reprimir novos focos de desagregação e (por outro) de corresponder à promessa, feita pela nova Casa Branca, de mais multilateralismo e recuperação dos laços com o Velho Continente.
Em segundo, porque vivemos uma pandemia e estamos perante uma crise económica sem precedentes. As pandemias só se ultrapassam com solidariedade. Pelo contrário, vamos reforçar as assimetrias, apostando no enriquecimento suplementar dos ricos e no empobrecimento adicional dos pobres. Nada de bom nos espera.
