DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz
"Por morrer uma andorinha, não acaba a Primavera", cantava o saudoso Carlos do Carmo, falecido no primeiro dia de 2021. É certo que o mesmo pensamento se pode aplicar à entrada do Sporting neste ano de 2022. Por sofrer uma derrota, não acaba o campeonato.
Contudo, há sinais de alarme que convém levar a sério, sob pena de não se conseguir reverter a tempo uma quebra de rendimento que, não sendo de agora, pode revelar-se fatal na hora de fechar as contas.
Estamos em Janeiro, mês de transferências, e não se vislumbram diligências para contratar uma alternativa a Paulinho, cuja luta parece ser pelo título de melhor falhador do campeonato. Se dúvidas houvesse sobre as ideias de Amorim em relação a Tiago Tomás, creio que anteontem se terão desfeito por completo.
O Sporting perdia, os minutos esgotavam-se, Coates ia lá para a frente tentar a sorte e o miúdo mais não podia do que jogar com os olhos, a partir do banco. Não faz qualquer sentido. Se TT não serve, então mexam-se, porque para o lugar de Paulinho só temos Paulinho, e a teimosia já vai longa.
Outro problema resulta do apagamento de Pote. Não sei o que se passa com ele, mas parece ter-se desligado, ainda que a espaços lhe saia uma fagulha de génio, quase como memória de um fogo extinto. Onde ontem não perdoava, hoje não acerta.
Vale-nos Sarabia, em clara ascensão de forma e a confirmar finalmente as credenciais com que veio, mas não chega para tudo. Ainda por cima, se até agora o problema do Sporting era apenas marcar poucos golos, após as duas últimas jornadas passou a ser também sofrer muitos.
Inácio faz uma falta imensa, não há quem o compense, tanto na fiabilidade defensiva como nos passes a rasgar, e Esgaio e Nuno Santos são recursos, não trunfos. O primeiro, desta vez, esteve desastrado; já o segundo teima em ter comportamentos que mancham tudo o que de bom possa fazer, como quando se queixou espalhafatosamente da cara depois de levar um toque no peito. São coisas que não se admitem a uma pessoa séria.
A somar a isto, há certezas adquiridas que têm de voltar a ser postas em causa. A dupla Palhinha-Matheus Nunes é, de facto, muito forte, tanto a nível físico como, cada vez mais, técnico e táctico, mas Daniel Bragança dá ao jogo uma articulação e uma fluidez que levam inevitavelmente a equipa para perto da baliza adversária, e há desafios que pedem a sua presença desde o início.
Depois, como avisara Carlos Fernandes, faltou-nos a energia de Amorim. A energia e, acrescento eu, o carisma. Pelo que se viu, sem o treinador principal junto ao relvado, a equipa não crê da mesma maneira. Há que trabalhar, e muito, para que esta entrada em falso no novo ano não seja mais que um acidente de percurso.
