O argelino não é a diferença entre um FC Porto estéril e um FC Porto goleador: é a diferença entre ter ou não ter plantel
1 - A seca do FC Porto não é uma surpresa. Não é uma surpresa que o FC Porto tenha deixado de surpreender. Ao quarto mês de competição, já todos os treinadores leram a fundo André Silva, Otávio, Diogo Jota, Corona e os movimentos pensados por Nuno Espírito Santo. Conhecem-nos de cor, ainda que isso nem sempre signifique que possam pará-los, porque estamos a falar de jogadores superiores. Nestas alturas, as equipas em construção passam à etapa seguinte: pôr o plantel à prova. E a nova fase começou mal para o FC Porto. Primeiro, com a alienação de Brahimi, e não forçosamente porque ele pudesse ser o remédio para o trauma dos golos, nada disso. Acontece apenas que, sem Brahimi e com a crescente constatação do fracasso que é o ponta de lança Depoitre (esclarecedor o lance na área do Belenenses, ontem à noite), o banco de suplentes portista transforma-se num daqueles desertos que tornam uma candidatura ao título insustentável e deixam a equipa sujeita às intempéries, ao desgaste da Champions, às lesões, às baixas de forma e aos abalos psicológicos que a classificação tem de provocar. Mesmo que estas linhas não descrevam bem o sentimento dos jogadores do FC Porto, ou o juízo que Nuno Espírito Santo faz dos seus suplentes, é inevitável que seja essa a interpretação dos adeptos, com as consequências habituais na espiral de destruição que se tem repetido no Dragão desde há três épocas.
2 - O Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) desenterrou uma lei de 2009 para desinfetar os incidentes do recente Sporting-Arouca. Quando ouvi a notícia na rádio (o IPDJ a constituir arguidos???), pensei que tinham trocado as siglas, mas era mesmo verdade: alguém percebeu que o regime jurídico do combate à violência e à intolerância no desporto só funciona se começar por cima, chamando à pedra quem dá os maus exemplos. E fazendo-o à vista de todos. Faltará depois juntar ao processo quem andou estes sete anos (ou estas duas épocas, pelo menos) esquecido de que a lei existia.
