DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz
Assim sim. Grande jogo, excelente forma de iniciar a época e entusiasmar os adeptos, que felizmente estiveram presentes e ajudaram a equipa quando ela mais precisava, depois de ter sofrido o golo do Braga. Foi também um pontapé na ideia de que o Sporting beneficia da ausência de público.
Não há ponta por onde Carlos Carvalhal, ou alguém do adversário, possa contestar a vitória do Sporting
Antes da partida, a nota de destaque era justamente a assistência nas bancadas, mas durante a primeira parte as assistências pontificaram de igual modo, ou melhor ainda, no relvado. Ricardo Horta fez uma de enorme classe para Fransérgio inaugurar o marcador, Nuno Mendes não lhe quis ficar atrás e rasgou o lado esquerdo com um passe inacreditável que Jovane, como é costume nestes jogos decisivos, transformou em golo.
E Matheus Nunes, aproveitando mais um corte fundamental de Palhinha, que está imperial e já não admite concorrência para o estatuto de melhor médio defensivo português, acrescentou o seu nome ao leque de assistentes, funcionando como antecâmara de uma trivela prodigiosa e fortíssima de Pote que só acabou na baliza.
À medida que o Sporting crescia, o Braga perdia por completo a capacidade associativa que lhe rendeu um início de jogo articulado, mais ou menos até ao golo, embora mesmo aí as melhores oportunidades tenham sido dos leões.
Entusiasmante foi perceber uma coisa nova na equipa de Rúben Amorim: a aptidão para gerir uma vantagem sem sofrer, criando e criando na frente, inclusive lances de golo cantado, como o de Pote depois de um erro do guarda-redes Matheus. Vi um conjunto solto, alegre, lutador e cheio de requinte, com trocas de bola precisas no miolo e envolvimentos virtuosos pelas alas, sobretudo a esquerda, onde Nuno Mendes e Jovane prometem ser fogo.
Outro sinal empolgante foi a resposta de quem entrou, a mostrar que a consciência coletiva está muito bem cimentada. Aí fizeram-se notar Tiago Tomás, que, mesmo tendo pouca bola, lutou como sempre até à última possibilidade de a ganhar, e o "novo" Tabata, cada vez mais confiante a meio-campo, espalhando classe e comprovando créditos na meia distância.
Se houve final a merecer o uso do "limpinho, limpinho" foi esta, não há ponta por onde Carvalhal, ou alguém do adversário, possa contestar a vitória do Sporting. Acabo, pois, como comecei: assim sim.
