Vietto não cabia na equipa de Bruno Fernandes? Que absurdo, como se viu.
Depois de se ter visto Vietto na primeira aparição de corpo e arte durante 90 minutos pelo Sporting, frente ao Portimonense, é caso para perguntar a Marcel Keizer por que carga de água ainda não tinha dado uso devido a um jogador com tanta qualidade. O holandês poderá escudar-se no chavão de quem pergunta não ver os treinos ou insistir na ideia da incompatibilidade entre o argentino e Bruno Fernandes porque querem ambos jogar na mesma posição e só lá cabe um. Explicou-o em conferência de imprensa 24 horas antes de fazer dos dois titulares, e até prometeu arranjar uma solução no futuro.
Sobre o avançado a contratar para o lugar de Bas Dost, disse que "não pode ser um qualquer", dá preferência a um jogador alto, mas até nem faz muita diferença se em vez de alto for rápido. "Todos encaixam, é importante escolher a tática de acordo com os jogadores e não o contrário". Então a máxima dos avançados não se aplicava a Vietto e Bruno Fernandes?
Os grandes jogadores têm de jogar. Se há dois bons para a mesma posição e merecem jogar ambos, têm de jogar. Desloca-se um deles, ajusta-se o esquema e passam a caber. Para isso está lá o treinador. Um exemplo. Euro"2000. Portugal tinha Figo na ala direita e Sérgio Conceição não cabia. Foi assim nos dois primeiros jogos e a Seleção ganhou à Inglaterra (3-2) e à Roménia (1-0); ao terceiro, com o apuramento garantido, o selecionador (Humberto Coelho) deu oportunidade aos menos rodados. O adversário era a Alemanha e Portugal ganhou 3-0 com hat trick de Sérgio Conceição. No jogo seguinte, com a Turquia (2-0), Sérgio e Figo couberam na mesma equipa. E nas meias-finais, com a França (1-2), o tal jogo do penálti de Abel Xavier aos 117", também. E ninguém apertou tanto com os franceses como esse Portugal.
Bruno Fernandes e Vietto também cabem.
