Não é de agora que os regulamentos da Liga Portugal contam com a sanção de realização de jogos à porta fechada e, nos últimos anos, foram sete (!) as ocasiões em que isso aconteceu nas competições profissionais. Hoje fala-se mais do tema pela coincidência, de terem sido aplicadas três sanções iguais numa mesma semana.
Na proposta de alteração à Lei da Violência no Desporto, o Governo introduziu a possibilidade de uma interdição parcial do estádio. Concretizando: se o comportamento incorreto do público teve origem, por exemplo, na bancada central, será esse o setor interditado, evitando-se o sancionamento indiscriminado do justo e do pecador.
Antecipa-se, aliás, que esta solução auxilie as instâncias decisórias na medida em que fornecerá aos adeptos de um mesmo setor um incentivo adicional para a sensibilização pedagógica dos seus companheiros de bancada.
A PSP, por seu turno, entende que esta não será a solução e que o castigo deve ser aplicado a todos os adeptos dos clubes prevaricadores e não se estender aos adeptos da equipa adversária. A discussão continuará, em breve, na Assembleia da República.
"Ouvir dois dos dirigentes mais emblemáticos apelar ao fair-play faz-me acreditar que o clássico vai honrar a festa do futebol"
Voltando aos regulamentos da Liga, e sem retirar qualquer brilho à capacidade de autorregulação dos clubes, há que reconhecer, algum excesso de zelo no afastamento da totalidade dos adeptos pelo comportamento ilícito de uns poucos. Fechar um estádio inteiro significa privar o jogo do brilho das cores, da alegria dos cânticos e da vibrante emoção dos adeptos no estádio, quando, na verdade, o que desejamos é promover, em contraponto dos comportamentos desviantes, o lado bonito do espetáculo desportivo.
Em três épocas do atual mandato diretivo na Liga Portugal, a aposta tem passado pela imposição, através da via regulamentar preventiva, de comportamentos adequados a todos. Dirigentes, jogadores, equipas técnicas, demais agentes desportivos e, claro está, adeptos.
A generalidade já interiorizou a exigência destas alterações, permanecendo por convencer uma franja de adeptos que, seja por desconhecimento, seja por um sentimento equivocado de impunidade, ainda não percebeu estes valores de correção e desportivismo... ou finge que não percebeu! Agora dissiparam-se as dúvidas, os regulamentos são um conjunto de normas sérias e eficazes para todos, independentemente das cores que enverguem.
Ouvir, na mesma semana, dois dos mais emblemáticos dirigentes do futebol português a apelar à pacificação e ao fair-play, faz-me acreditar que, hoje, na Luz, no clássico da família, vamos ter um estádio repleto de adeptos em manifestações de alegria, honrando a festa do futebol. Assim seja!
