Saída de Rúben Dias significa que o Benfica vai voltar aos tempos em que jogava sem portugueses
A jornada em análise pelo cronista Manuel Queiroz
FC Porto, Benfica, Santa Clara são as únicas equipas que ganharam os dois encontros iniciais da Liga 2020/21, sendo que Sporting e Gil Vicente ainda só fizeram um e ganharam-no também.
Neste campeonato atípico, que começou tarde e sob a ameaça da pandemia, há coisas que não mudam, como as entradas ganhadoras dos clubes que ganharam as últimas 18 edições da prova (11 para o FC Porto, sete para o Benfica). Serão os únicos candidatos? É muito cedo para dizer, mas começar bem é sempre positivo e, é um facto, fizeram-no, como o Sporting também.
Os três grandes entraram com boas notas - incluindo o Sporting
Se o Benfica começara a golear em Famalicão (5-1), o FC Porto fez ainda melhor no dérbi portuense, com 5-0 perante uma das duas equipas que se reforçaram de forma mais inesperada (a outra foi o Vitória, que fez um ponto e ainda não marcou qualquer golo). Boavista, Famalicão, Vitória são equipas em obras, com muitos jogadores a descobrirem Portugal e o seu campeonato. Pelo contrário, Sérgio Conceição tem chamado ao onze titular só gente da época passada, porque o início do FC Porto é bem difícil (vem agora o Marítimo, a seguir é Alvalade) e porque, sejamos claros, não chegou ninguém que fosse claramente melhor do que os que já lá estavam.
Bom início de época de Sérgio Oliveira e Marega, muito influentes numa equipa que este ano jogou só com um ponta de lança e num 4x2x3x1 com mais técnica. Mas este Boavista não dá para tirar conclusões.
O Benfica ganhou com alguma facilidade ao Moreirense na estreia na Luz e na despedida de Rúben Dias, que fez questão de jogar apesar de ter tudo acertado com o City e teve o prémio de um golo importante. A sua saída significa que o Benfica vai voltar aos tempos em que muitas vezes jogava sem portugueses o que parece um passo atrás depois de se ter dito que no Seixal só não havia pontas de lança. Jorge Jesus é mais adepto do realismo e se lhe prometeram 100 milhões em novos jogadores já lá bateu com Otamendi. A equipa está bem até porque começou a treinar muito cedo (pouco mais de uma semana depois do fim da época anterior).
O Sporting começou com uma vitória em que a exibição foi até melhor que os golos, depois de uma apresentação com o Aberdeen pouco conseguida. Concedeu muito pouco ao Paços que teve problemas de covid em jogadores importantes à última da hora (João Amaral). Um jogo pandémico então, mas fiquei mais convencido que Alvalade vai ter fase de grupos da Liga Europa esta época (e é preciso passar o Linz depois de amanhã).
Já o Braga vai em duas derrotas e esta foi comprometedora, em casa com o Santa Clara num jogo que correu particularmente mal. Faltou o golo, não faltou a equipa embora faltassem alguns detalhes por escolhas que talvez tenham de ser revistas (Sequeira a central, Fransérgio algo desviado da zona central).
A Figura
Thiago Santana
Três golos em dois jogos, todos os que marcou o Santa Clara, de resto, é uma entrada em grande na Liga. Avançado oportunista, como em Braga, não falhou a ocasião que teve.
Golo
Estratégia
Houve poucos golos e poucos bonitos. Daí que o golo de estratégia do FC Porto, de um livre central marcado por Sérgio Oliveira, Otávio a vir receber e a tocar de primeira sobre a defesa para Corona atrasar e Marega depositar seja o meu escolhido. Pela precisão.
A Figura
Mani-cómio
O penálti a favor do Sporting ilustra bem o mani-cómio em que se tornou o toque na bola com a mão na área. Bola completamente inesperada, de ressalto duplo, no braço de Tanque. Mão, do latim "manu". Manicómio.
