Se for campeão no Sporting, como se obriga, Jesus poderá atirar-se aos que pensam como ele pensava em 2013
O Sporting de Jorge Jesus arrancou com "um plantel de Champions", na descrição feita pelo presidente Bruno de Carvalho, mas falhando hoje, frente a alemães que nunca na sua história vergou, o apuramento para os oitavos de final da Liga Europa - e estando já arredado da Taça de Portugal e da Taça da Liga -, arriscará uma ponta final de época sob forte stress, porque dificilmente a conquista do campeonato (o entretenimento sobejante) não será reclamada pela plateia verde e branca ainda com mais fervor a cada jornada. O discurso do técnico, indexando a ambição à campanha na I Liga, que pode conduzir a um título que em Alvalade não é celebrado há 14 anos, custa a aceitar sem um par de "mas", porque o grupo de internacionais que comanda indicia querer e valer mais do que a redução a uma só prova, isto descontando-se a exigência inerente ao emblema que traz ao peito. Para ratificar a tese de que o plantel obriga à concessão de prioridade máxima à maior competição lusa, Jesus tem de ser campeão, vença ele os jogos apenas por um golo de diferença e pouco importa se com um futebol bonito ou feio. Só dessa forma terá margem para desfraldar a bandeira e clamar que, afinal, valeu a pena sacrificar as outras frentes - FC Porto, Benfica e Braga não se limitaram assim -, contrariando quem, com uma visão diferenciada, goste de aplaudir a capacidade de estar nas discussões. A mesma, aliás, que o próprio Jesus enfatizou com interesse em maio de 2013 - "Perdi, mas estive lá" -, quando, numa semana, ao serviço do Benfica ficou sem campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal.
