A venda, afinal, é uma fatura.
Aí está a primeira consequência direta da eliminação prematura do Benfica da Liga dos Campeões.
Prevaleceu a ideia de que o encaixe que é capaz de gerar para comprar outros se tornou mais importante do que mantê-lo
Para equilibrar as contas, teve de abrir mão de um dos melhores jogadores do plantel. A partir do momento em que a equipa perdeu na Grécia e Jorge Jesus continuou a reclamar reforços de qualidade, melhores do que aqueles que tem, como ontem deixou claro na conferência de Imprensa, tornou-se imperioso vender.
Num mercado estranho e infetado pela pandemia, a ilusão de fazer face às necessidades negociando jogadores entretanto desvalorizados ter-se-á esfumado.
Rúben Dias seria o ativo mais valioso na linguagem dos financeiros, mas abdicar de um valor seguro no tocante ao rendimento desportivo para conseguir outros reforços quando uma das exigências do técnico é mais um central, dá uma ideia sobre as prioridades do momento.
Todos sabiam que não sairia barato cumprir as promessas feitas ao treinador que, a cada semana, vai lembrando que lhe falta ganhar a Champions
O Benfica acredita que será melhor sem Rúben Dias! Ou seja, prevaleceu a ideia de que o encaixe que é capaz de gerar para comprar outros se tornou mais importante do que mantê-lo. Ganhar bom dinheiro a substituir um jogador de 23 anos por um de 32 seria assustador para quem desfraldava a bandeira da formação se acreditasse realmente nisso. Mas o futebol é assim, as prioridades mudam.
O Benfica está a disputar um desafio intenso. Todos sabiam que não sairia barato cumprir as promessas feitas ao treinador que, a cada semana, vai lembrando que lhe falta ganhar a Champions, apesar de ter saído à primeira da que lhe fora posta à disposição. A ideia dele será começar já a preparar a próxima.
