Rúben destaca-se pela coragem de apostar em qualquer jogador, desassombro e capacidade inata de comunicar. Impressiona
Rúben Amorim arrisca-se a ser um caso sério de liderança na função de treinador. Sem prejuízo da sua ideia de jogo, o que impressiona no novo treinador leonino é a sua capacidade de liderar o balneário e o futebol leonino. Mais do que os resultados alcançados ou a qualidade de jogo, Rúben destaca-se pela coragem de apostar em qualquer jogador, desassombro e capacidade inata de comunicar.
"Luís Filipe Vieira aproveitou a AG da Liga para dar uma aula sobre liderança. Esqueceu-se de referir que um líder não tem desabafos perante o seu grupo de trabalho e sobretudo tem o dever de se coibir de criticar uma equipa que acabara de sofrer um ataque violento por parte dos seus próprios adeptos"
Pondo o coletivo acima do individual, Rúben arrisca-se a agarrar rapidamente este grupo de trabalho e dar um rumo ao futebol verde e branco. Achei um disparate dar 10 milhões por um jovem treinador sem currículo, mas Rúben pode muito bem vir a ser a tábua de salvação de Frederico Varandas e Hugo Viana. É bom ver de novo uma equipa composta maioritariamente por jovens portugueses.
Por falar em liderança, Luís Filipe Vieira aproveitou a AG da Liga para dar uma aula sobre liderança. Esqueceu-se de referir que um líder não tem desabafos perante o seu grupo de trabalho e sobretudo tem o dever de se coibir de criticar uma equipa que acabara de sofrer um ataque violento por parte dos seus próprios adeptos. Enquanto Vieira criticava, Weigl estava no hospital a recuperar dos estilhaços. Uma pedrada no charco esta forma de liderar. De igual modo surpreendente são os resultados do nosso rival. Uma vitória em 10 jogos é um pecúlio demasiado magro e pobre para um clube recheado de dinheiro e que compra reforços em pacote ao valor mínimo de 20 milhões. Se perder este título, será um duro golpe para o Benfica e esta liderança em ano de eleições.
Para além da bóia de salvação para o FC Porto - os 40 M€ da Champions são absolutamente essenciais para o clube nortenho e sobrevivência do seu projeto futebolístico - é um golpe duríssimo na ambição benfiquista de conquistar o penta. Esse é o grande objetivo da estrutura benfiquista e um título portista atrasaria este desiderato em mais dois anos. Veremos o que sucede nas próximas jornadas, mas este campeonato é estratégico para os três grandes, até porque a covid-19 veio alterar um pouco as contas do nosso rival benfiquista. Com efeito, apesar da maior margem financeira, a pandemia e a crise global que afetarão o futebol nos próximos largos meses vieram nivelar por baixo o futebol luso. O Benfica perdeu uma parte da sua enorme vantagem financeira e o FC Porto precisa de aceder à Champions custe o que custar.
"Para o Sporting, esta é uma oportunidade quase única de encurtar um pouco distâncias, criando um novo ciclo desportivo, com uma equipa mais jovem e de maior ligação aos seus adeptos. Com menos dinheiro a circular e com um mercado de transferências menos opulento, a próxima equipa de Rúben Amorim poderá ter maiores hipóteses de aceder à Champions"
Para o Sporting, esta é uma oportunidade quase única de encurtar um pouco distâncias, criando um novo ciclo desportivo, com uma equipa mais jovem e de maior ligação aos seus adeptos. Com menos dinheiro a circular e com um mercado de transferências menos opulento, a próxima equipa de Rúben Amorim poderá ter maiores hipóteses de aceder à Champions. Neste ponto, o clube de Alvalade viverá sempre num dilema: se por um lado manda a racionalidade afirmar que o crescimento do Sporting terá de ser feito à custa do FC Porto, por outro, é quase impossível lidar em termos emocionais com uma hegemonia plena do nosso rival da segunda circular.
Este dilema recomenda, aliás, que desenhemos a nossa própria estratégia e caminho sem qualquer aliança com nenhum dos nossos rivais. Na próxima semana começarão os debates do "Sporting com Rumo". E importante discutir de forma aberta o futuro do nosso clube, bem como os temas mais fraturantes. As próximas eleições serão as mais importantes dos próximos anos em Alvalade, sendo que o clube não pode continuar afundado em equívocos e dúvidas sobre o seu futuro. No próximo ato eleitoral, mais do que pessoas, teremos de discutir modelos de crescimento e sustentabilidade. Mais do que o perfil do Presidente da MAG ou da SAD, teremos de encontrar uma forma de consensualizar a reforma dos estatutos, a manutenção do ecletismo e a preservação da maioria do capital da SAD leonina. Se não arrepiarmos caminho rapidamente, corremos o sério risco de perder o comboio da liderança do desporto em Portugal por largos anos, reduzidos a um papel menor e indigno perante a nossa história e peso social. O Sporting não precisa de salvadores, precisa de um projeto claro e agregador. E o primeiro passo para chegar a tal desiderato é alterar os estatutos, consagrando de imediato a segunda volta eleitoral e uma maioria clara a apoiar um presidente.
