RUGIDOS DO LEÃO - A opinião de Samuel Almeida, aos domingos n'O JOGO.
1 - O futebol português é rico em peripécias, casos e polémicas. Difícil de fugir das mesmas neste ecossistema tão pobre em transparência e cultura desportiva. A mais recente polémica prende-se com os testes ao Nuno Mendes e Sporar feitos pelo laboratório gerido pelo filho do presidente da FPF.
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Não vou abordar o tema clínico para o qual não tenho conhecimentos. Mas existem perguntas a serem feitas: 1) por que motivo a Liga Portugal não celebrou protocolos com diversos laboratórios e escolheu precisamente este? 2) por que motivo o diretor clínico mentiu sobre os contactos mantidos com a direção clínica do Sporting? 3) por que motivo levou este mesmo laboratório três dias a responder à solicitação da DGS? O assunto é sério, pois é matéria de saúde pública e de credibilidade e integridade das competições. O presidente do Sporting fez bem em por os pontos nos is.
2 - Existe uma comoção repentina sobre os casos de COVID que assolaram a Luz e o Dragão. Diz-se que enfraquece as equipas e distorce as competições. Curioso que só se acordou para esta realidade agora. Quando o Sporting teve 10 casos em setembro - custando uma eliminatória europeia - não vi tanto alarme. O Benfica jogou com o Braga com seis dos seus habituais titulares, sendo que entre Darwin, Pizzi, Rafa, Everton, Pedrinho, Weigl, o clube da luz investiu cerca de 120 M€. Não daria para fazer um pouco melhor? O Sporting jogou com o Rio Ave sem três dos seus defesas e sem Sporar (o qual deveria estar em jogo). Isto de controlar boa parte da opinião escrita e falada tem muito que se lhe diga.
3 - Por falar em laboratórios, ele há rivalidades que nascem, assim, in vitro e em incubadora. Li esta manhã que haveria uma nova rivalidade no futebol português, entre Sporting e Braga e não pude deixar de sorrir, pois é uma rivalidade imaginária e construída por uma certa comunicação interessada na bipolarização do futebol português, sendo o Braga o cavalo de Troia para esse efeito. O presidente insolvente também alimenta esta narrativa e de vez em quando coloca-se em saltos altos ou bicos de pés. O Braga é um clube digno, com uma bela equipa de futebol e merece todo o respeito. Mas tem tantos títulos nacionais quanto o Setúbal e menos que o Boavista e o verdadeiro Belenenses - e não esta SAD travestida que se vai mudar para Mértola. Uma mentira dita muitas vezes não se transforma em realidade.
4 - Por falar em Braga, à hora que escrevo estas linhas estamos perto de entrar em campo para mais uma final da Taça Lucílio. É uma competição, é um título, é para vencer. Mas não deixa de ser uma competição menor, um prato de lentilhas perante a carne que se partilha em maio de cada ano. Para mim é claro que a próxima semana é de extrema importância, com um jogo sempre difícil no Bessa e um dérbi em Alvalade. Entrar em Alvalade com quatro pontos de avanço sobre o Benfica tem de ser o foco, pois permite-nos iniciar o mês de fevereiro na liderança. E aí o calendário e a carga competitiva jogam a nosso favor. Saibamos todos entender as prioridades.
5 - Diz-se frequentemente que Sérgio Conceição encarna o espírito do Porto e tal corresponde à verdade. Seja na ambição e competitividade, seja no mau perder e falta de cultura desportiva, um problema transversal no clube nortenho. Para aquele senhor da comunicação com nome de loja de ferragens, o Sporting cometeu um crime público. Uma ironia vinda de quem responde judicialmente por intrusão informática. Já quanto ao Sérgio - repito um excelente treinador - o mesmo acha que a vitória leonina caiu do céu. Como caiu no Jamor duas vezes - uma delas a ganhar 2-0 com mais um elemento - ou três vezes na Taça Lucílio. São muitas derrotas aos trambolhões para o Sérgio não começar a dar mérito aos seus adversários. Uma coisa é ser competitivo, outra mal-educado e é tempo de Sérgio perceber a diferença. Tanta azia já cansa.
6 - Por fim, um tema que não gostaria de ter de abordar, o despedimento coletivo em Alvalade. É uma história mal explicada e num tempo inoportuno, sobretudo quando estão em causa vários colaboradores com muitos anos de serviço leal e competente ao clube. O ruído era dispensável nesta fase e trata-se de um tema fraturante. Frederico Varandas e Francisco Zenha terão de dar explicações perante (mais) um processo tão mal conduzido.
Nota final. Um abraço a todas as famílias a viverem dramas inimagináveis com esta pandemia. Isso sim merece a nossa comoção, assim como a progressiva destruição do nosso tecido social e económico. A bola perante isto são "peaners".
