Carlos Machado, chefe de Redação de O JOGO, escreve sobre um dos jogadores em alta no plantel do Benfica.
Muito se tem falado nos últimos tempos no Benfica de Bruno Lage. A aposta duplamente acertada em João Félix (posição e continuidade), os renascimentos de Seferovic e Samaris, a descoberta de Gabriel, o atirar de Ferro para a forja (primeiro não tinha mais ninguém, depois valeu a aposta) ou os primeiros passos de Florentino. Curiosamente, de quem menos se tem falado é de Rafa, ele que tem sido a pedra angular do novo Benfica.
Rafa apareceu cedo, aos 19 anos dava cartas no Feirense. Era uma espécie de dez faz-tudo, rápido, tecnicamente evoluído, exibindo-se numa escala vedada aos companheiros de equipa. Uma época em Santa Maria da Feira permitiu-lhe o salto para Braga, onde teve a sorte suprema de encontrar Jesualdo Ferreira.
O Rafa do Braga evoluiu na medida do esperado e foi para o Benfica (disputado pelo FC Porto) numa fase pré-craque.
O Professor encostou-o a uma ala. e a quem lhe perguntava pelo dez criativo, respondia: "Vejo-o antes como um avançado." Começou aí a formatação de um jogador com uma capacidade incrível e um duplo problema para resolver: momento da decisão e atitude perante as dificuldades.
O Rafa do Braga evoluiu na medida do esperado e foi para o Benfica (disputado pelo FC Porto) numa fase pré-craque. Enquadrado numa equipa melhor, esperava-se que também o fosse, que assumisse protagonismo e reivindicasse um lugar. Em vez disso, mostrou-se sempre demasiado grato por estar num grande e continuou na senda do quase. Com Rui Vitória, foi tendo oportunidades, mas balançou vezes de mais entre o merecer e o justificar continuar. Intermitente, por vezes alheado do jogo, raramente dando dele próprio um lampejo de talento.
Com Lage a mandar, Rafa, o avançado projetado por Jesualdo, explodiu. Força, velocidade alucinante, potência, talento, finta, visão de jogo, golos. Conheciam-se-lhe todas estas capacidades, mas postas em campo apenas uma ou duas de uma vez. De repente, aparece tudo reunido num jogador só. À craque. Há craque! Só precisa de deixar de pedir desculpa por jogar como joga.
