O critério de seleção é a qualidade, insiste Rui Vitória. O plantel do Benfica tem de ser peitudo e não remediado
O Benfica mudou de treinador, mas não contratou um anjinho para ocupar a cadeira invejada. Se o presidente sublinha, a cada oportunidade, que o tricampeonato é um desejo travestido de obrigação, Rui Vitória dá palmadas no lirismo esvoaçante e enxota-o para o lado, como ontem repetiu nos Estados Unidos, no lançamento do segundo exame da equipa e de um novo modelo de jogo. Para que ninguém adormeça ou, posto de outra maneira, para que os mais jovens não se julguem seguros à sombra da "aposta na formação", o técnico repetiu e enfatizou uma advertência que soltara na cerimónia de apresentação: a qualidade é o critério que comandará as escolhas. Por agora, o que está em causa é a validação de um lugar no plantel, que carece de emagrecimento, mas daqui por duas semanas, quando arrancar a competição e a bola tiver picos, o objetivo da seleção será outro, bem mais afunilado, porque no palco da ação só haverá espaço para onze. Dos três crónicos candidatos ao título, o Benfica é, até ver, o mais estável, o que menos mexeu na estrutura-base - perdeu apenas Maxi Pereira, em fim de contrato, e Salvio, lesionado -, mas se a ambição, como proclamou Samaris no início desta semana, é que o "futuro" seja "ainda melhor" do que a época passada - em que as águias arrecadaram sucessos na Supertaça, I Liga e Taça da Liga -, então a segunda linha (como a primeira) tem de ser peituda e não remediada. "O cavalo", metaforizou Vitória, "passa à porta de toda a gente." Haja unhas para montá-lo - e ganhar, que é o maior crivo de todos.
