DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz
Ontem, o Sporting entrou com fome, mas pouco assertivo. Embora Palhinha e Matheus Nunes impusessem a sua lei a meio-campo, as alas não funcionavam. Pote parece estar a habituar-se a acordar tarde, e nem se pode queixar de Esgaio, que fez todo o corredor com energia e precisão; do outro lado, a dupla Vinagre-Jovane carece ainda de rotinas, sentindo-se para já muito a falta de Nuno Mendes.
O cabo-verdiano revelou-se trapalhão durante toda a primeira parte, foi aliás o pior jogador da equipa - mas o futebol tem coisas que ninguém consegue explicar e lá estava ele a marcar o golo inaugural, assistido por Esgaio. Estranhamente, depois disso a equipa tremeu e o Braga criou duas ocasiões de perigo.
A abrir a segunda metade, Inácio cabeceou à boca da baliza para fora dela e a seguir, na melhor jogada do desafio, Jovane convidou Pote para novo tento de grande classe. Estava escrita a mentira deste Braga-Sporting: não no resultado, que esse não oferece discussão, mas em quem o fez.
Tirando os lances decisivos, Pote e Jovane estiveram muitos furos abaixo do que valem, o primeiro por desaparecimento, o segundo por desnorte. Não admirou, pois, que Rúben Amorim tenha renovado a ala esquerda, fazendo entrar Matheus Reis e Nuno Santos, e sacrificado mais tarde o goleador da equipa, quando o lateral ex-Rio Ave, protagonista de uma criancice anterior que lhe valeu o cartão amarelo, foi expulso pelo Collina dos pobres. Se aí já o Sporting mostrava ter perdido a calma, apesar da vantagem de dois golos, de então para diante assistiu-se a um sufoco: Carvalhal (que protesta imenso com os árbitros) meteu o regressado Medeiros e o baby Roger a agitar as alas e, em superioridade, havia sempre um dos lados a descoberto, tendo calhado a Fabiano, um lateral pequeno mas muito interessante, fazer o cruzamento que pôs os leões a bater o dente.
André Horta rasgava a linha defensiva verde-e-branca com passes simples - às vezes não dá para entender - e o perigo subia como o mercúrio, perante um Sporting recuadíssimo e sem capacidade de reter a bola. Valeram aí os reflexos de Adán, a compensar erros que continua a revelar, quer no passe quer nas saídas.
Deu ainda para ver uns minutos de Ugarte, completamente perdido, sem culpa própria, entregue a um baptismo ingrato que apesar de tudo teve final feliz. E foi a história de mais um triunfo, importante e difícil, que nos embala para uma época onde vai ser preciso trabalhar muito, mas muito, para dar sequência ao que de fantástico se fez na anterior.
Fora do campo, há que resistir também: eu não percebo nada de finanças, mas quando me dizem que o Sporting tem de vender Palhinha, Nuno Mendes ou Matheus Nunes permito-me achar uma estupidez. Se não tivéssemos ido à Champions, com os jogadores desvalorizados, o clube acabava?! É deixar os jornais criarem os cenários que quiserem e seguir em frente confiando no processo. Vamos mas é embora.
