FORA DA CAIXA - Um artigo de opinião de Joel Neto.
É um nó inesperado e difícil de resolver. As diferentes restrições à circulação de cidadãos portugueses, em vigor na Grã-Bretanha e em vários países europeus, vêm criar um problema à relação entre os futebolistas emigrados e a Seleção Nacional.
Para já, uma série de clubes ingleses teme não poder usar os seus internacionais lusitanos, eventualmente chamados a representar Portugal nos jogos de qualificação para o Mundial do Catar marcados para abril, nas jornadas decisivas da Premier League.
E, se por um lado se pode pedir a efetivação do já discutido estatuto de isenção para atletas de alta competição, por outro torna-se difícil justificar que, numa situação pandémica, um jogador tenha direitos que não se atribuem a um burocrata, um operário de construção civil ou mesmo um escritor de livros de viagem.
Portanto, talvez seja melhor a FPF acautelar-se, para os jogos na condição de anfitrião, com um estádio alternativo num destino para onde a portugalidade se estenda. Paris seria uma solução natural, mas há mais possibilidades. Seja como for, e perante a ausência de público, o fator casa praticamente deixou de contar. E o futebol, que tantos esforços tem feito para sobreviver a este terrível advento, tem toda a conveniência em que se reconheça que, mais uma vez, se chegou à frente com uma solução.
Entretanto, resta-nos esperar que os contágios (e as mortes) regridam de Vilar Formoso para cá - para que a Seleção não chegue a ter de fazer as malas e, principalmente, para que se contenha o número de portugueses que perdem a vida. E, já agora, que os nossos futebolistas resistam a tentações como esta a que Ronaldo cedeu de escapar a um confinamento para ir comemorar as férias da mulher à neve. Os prejuízos de tal má imagem são desproporcionalmente altos para toda a gente.
