VISTO DE ITÁLIA - Um artigo de opinião de Cláudia Garcia.
Não há dúvidas sobre as qualidades de Rafael Leão, mas ficamos sempre com a sensação de que ele pode dar mais e de que ainda há muito para descobrir deste talento.
"Na próxima época, o meu maior desafio pessoal vai ser a explosão definitiva de Leão", prometeu o treinador do Milan, Stefano Pioli, durante a última conferência de Imprensa.
Fernando Santos é quem agradece, porque finalmente podemos sonhar com um camisola 9 de enorme talento na nossa frente de ataque. Sem nada tirar a André Silva, a Gonçalo Paciência e aos outros 9 que defenderam as nossas cores nos últimos anos, mas, quando arranca com a bola nos pés, Leão dá-nos a sensação de ter muito mais para dar. É um jogador de enorme qualidade, com drible e excelente remate. Depois há aqueles momentos do jogo em que entra em versão sonâmbulo, não se mexe, baixa a cabeça, corre pouquíssimo. Em termos físicos, ainda tem dificuldades ao lutar ali na frente com os defesas adversários e por isso é que se deu muitíssimo bem com Ibra e Rebic, porque tanto o sueco como o croata fazem bem esse trabalho de contraste aéreo e de abertura de espaços para Leão aparecer e finalizar. No entanto, pela sua altura e físico robusto, o ex-avançado de Lille e Sporting pode evoluir muito mais no jogo sem bola.
Ao lado de Ibra, Rafael Leão mostrou-nos a melhor versão de si próprio. "Ibra foi o guia de que ele precisava", disse Boban em entrevista à "Gazzetta dello Sport", na sexta-feira. Dos seis golos que Leão marcou esta época, cinco deles foram já com Ibra no Milan, portanto a partir de janeiro. Na segunda parte da temporada, o avançado português teve um papel importante em vários jogos decisivos, como no último contra a Juventus, em que o Milan deu a volta ao resultado e ganhou por 4-2, mas também nas vitórias contra Sampdória e Bolonha. Leão teve um papel mais ativo com Ibra em campo: fez mais cruzamentos (média de 1,08 por jogo, contra 0,55 da época passada), driblou mais (média de 2,8, contra 2,3 da época passada) e termina com uma excelente média de 79% de precisão de passe por jogo, contra, por exemplo, 73% do próprio Ibra e 65% de Rebic. Ainda perdeu menos bolas do que os dois companheiros de ataque (média de 4,8 bolas perdidas por jogo e apenas 0,54 na metade do campo do Milan). Neste quesito, melhor do que Ibra (1,13) e Rebic (0,95).
Em termos de interceções, disputas aéreas ganhas e disputas no solo, a diferença ainda é notável a favor de Ibra e Rebic, que são dois avançados mais físicos. No entanto, estes dados mostram um Rafael Leão mais maduro e um avançado cada vez mais completo e pronto para a explosão ao lado de Ibra. A seleção portuguesa vai ser a grande beneficiada disso no ano do Europeu.
