RUGIDOS DO LEÃO - A opinião de Samuel Almeida
Vítor Oliveira - um treinador que muito prezo - causou grande alvoroço ao afirmar que ao Sporting faltavam grandes jogadores. Uma verdade evidente para quem acompanha esta equipa e que gerou grande debate. Falta qualidade e tem faltado compromisso coletivo, atitude e coragem a uma boa parte deste plantel. A falta de liderança reflete-se no relvado.
Frederico Varandas e seus pares são os primeiros responsáveis por terem desbaratado 40 milhões de euros sem critério
Não faltaram naturalmente referências aos acontecimentos de Alcochete e ao rombo financeiro, desportivo e moral infligido por um conjunto de energúmenos ao clube. Pagaremos o preço por esse dia por vários anos - isso seria válido para qualquer direção que viesse - mas importa separar as águas, sob pena de passarmos este mandato a desresponsabilizar quem venceu estas eleições prometendo unir o clube e afirmando dispor de especial conhecimento sobre o clube e os meandros do futebol.
Nada disso se verificou e Frederico Varandas e seus pares são os primeiros responsáveis por terem desbaratado 40 milhões de euros sem critério, hipotecando ainda mais a frágil capacidade competitiva do clube para sair do marasmo em que se encontra. Tirando Vietto, no último ano o Sporting não contratou um único jogador com capacidade para se impor na equipa e gerar mais-valias financeiras. Mais de metade deste plantel não tem categoria para envergar a camisola leonina, isto para não falar nas dispensas sem critério e as vendas ao desbarato.
Sem capacidade de investimento, com um clube fraturado e com uma assembleia geral destitutiva a pairar no ar, creio que a Frederico Varandas cabe criar as condições para uma clarificação definitiva da situação do clube. Isso passaria por convocar uma AG que permita a alteração dos estatutos de forma a contemplar uma segunda volta eleitoral e de seguida apresentar a demissão, sem prejuízo de, querendo, recandidatar-se. E este é o momento ideal para o fazer, pois estamos perante uma época desportiva perdida a nível do futebol, pelo que a natural instabilidade criada por um período eleitoral não traria grandes danos desportivos.
Seria um ato de sportinguismo, de quem acredita nas suas capacidades e vai a sufrágio bater-se pelo seu projeto e a legitimação que cada vez parece mais curta. Apesar de legitimamente eleita, falta lastro popular a uma direção que mostra sinais evidentes de desgaste e de empatia com a massa adepta do clube. A alternativa é continuar neste caminho sem rumo e sujeitar-se a uma saída sem glória e disruptiva para o clube, onde não se sabe o que poderá acontecer. Claro que estes órgãos sociais poderão querer jogar com esta incerteza junto do eleitorado mais conservador de forma a manterem-se à tona, mas estarão a prejudicar o clube. Sejamos claros, o caminho para o Sporting é cada vez mais estreito e o fosso financeiro, desportivo e estrutural para os nossos rivais é cada vez maior, colocando o clube num plano inclinado de declínio progressivo incompatível com a sua história e dimensão.
O Sporting precisa urgentemente de um rumo, de um projeto que aponte o caminho e dê a esperança e o alento aos seus muitos milhões de adeptos espalhados pelos 4 cantos do Mundo. O Sporting é hoje um clube sem chama, sem esperança, com a alma dorida. Tenho pena de o afirmar, mas com esta direção não vamos lá. Na primeira época que tiveram a responsabilidade de montar um plantel o resultado está à vista numa sucessão de más escolhas que trouxeram bem à vista a inexperiência e falta de tarimba para liderar um barco desta dimensão. Ao Sporting atual falta tudo: liderança, competência, experiência, capacidade de investimento e capacidade de encontrar soluções para o futuro, o que é dramático no contexto de profunda transformação em que se encontra o futebol mundial.
Perdendo o comboio atual teremos muita dificuldade para nos reerguermos num contexto cada vez mais global para jogadores, treinadores, televisões e parceiros comerciais. Pior que tudo, seremos um alvo apetitoso para o capital especulativo que verá aqui uma oportunidade de atacar um alvo apetecível pela sua dimensão e peso social.
Nota final - esta semana os sócios receberam mais um email do clube com a agenda das diversas equipas do clube durante este fim de semana. Ora, para meu espanto estava anunciado que o Sporting jogaria em Alvalade contra o Gil Vicente, em mais um lapso indesculpável da comunicação do clube. Pode parecer inócuo, mas uma estrutura que não consegue assegurar as tarefas mais básicas é incapaz de levar a cabo qualquer transformação do clube.
