LIGA-TE - Já se impôs a noção, aliás acertada, de que o futebol profissional detém ativos humanos com capacidade para pensar o fenómeno desportivo e encontrar soluções para os desafios que lhe vão surgindo.
As Jornadas Anuais da Liga Portugal, uma bandeira da atual Direção, são disso o exemplo mais visível, mas representam apenas o ponto de chegada de um percurso reflexivo promovido pela Liga e que esta percorre a par dos clubes.
Nos últimos meses, armada com estudos e propostas sérias e fundamentadas, a Direção da Liga Portugal levou a cada grupo parlamentar alguns dos frutos dessa reflexão: quatro propostas para permitir que o futebol profissional mantenha o seu relevante contributo para a economia nacional e para a representação do país ao mais alto nível desportivo.
"O tema do IVA "jaz morto, e arrefece" na arena da luta política, ofuscado que foi pelas bandarilhas demagógicas"
Uma missão que se afigurava promissora, tendo em conta o (aparente!) bom acolhimento que mereceu.
Foi assim com a proposta de reposição, para os níveis pré-troika, da taxa de IVA aplicável aos espetáculos desportivos, medida de elementar justiça, para um sector que não repercutiu no preço dos bilhetes o aumento da taxa de 6% para 23%, assumindo um sacrifício transitório que, afinal, teima em perpetuar-se.
Sabemos, hoje, que o tema do IVA "jaz morto, e arrefece" na arena da luta política, ofuscado que foi pelas bandarilhas demagógicas brandidas no espaço político e mediático.
Restam, porém, três oportunidades para os deputados honrarem a palavra dada, conforme se espera de gente de bem.
Desde logo, quanto aos regimes das apostas desportivas e dos seguros de acidentes de trabalho dos jogadores, cujo mercado há muito se tornou disfuncional. A desadequação da legislação nestas áreas tem o singular condão de prejudicar o universo dos seus destinatários, desde os atletas aos clubes, passando pelas seguradoras e até pelo Estado!
Esperamos que o Parlamento, que irá, a breve trecho, discutir a lei da prevenção da violência, ponha termo ao desinteresse do Governo que, rejeitando as nossas propostas, nunca lhes contrapôs o mais débil argumento.
Impõe-se a aplicação automática da obrigação de comparência nas esquadras, em dias de jogo, aos "adeptos" condenados por comportamentos violentos, desonerando os clubes de um controlo impossível.
Impõe-se, enfim, o fim da demagogia barata e a demonstração ao povo português de que há vontade de trabalhar, com rigor e com talento, para o bem comum.
