"É este ar que gosto de respirar", retaliou Jesus. Percebeu a jogada do Benfica?
Se calhar foi feriado e nem demos por isso, mas este sábado teve qualquer coisa de santo. A jornada de Taça produziu um (curto?) intervalo no torpedeamento mútuo em que Benfica e Sporting se envolveram, em contagem regressiva para o dérbi de dia 25, na Luz. Bruno de Carvalho, nos capítulos recentes, apontou os canhões de que se lembrou na direção do rival, mas o que o presidente leonino colheu foi uma aparente indiferença pública, pese a persistência nas ofensivas. Do lado do inimigo, a estratégia bélica vem sendo conspirada nos gabinetes da "estrutura" e dos advogados patrocinados, provocando rebentamentos cirúrgicos sob a forma de ações judiciais. O alvo número um das águias nunca foi Bruno de Carvalho; era e continua a ser o seu ex-treinador. O processo movido a Jorge Jesus, agora ao leme dos verdes e brancos, e no momento em que viu a luz do dia, obedecerá a uma leitura própria, construída em cima do conhecimento resultante de seis anos de cumplicidades e trabalho comum. O Benfica identificará vulnerabilidades em JJ em "embrulhadas" do género, acreditando poder tirar vantagem de uma potencial perda de lucidez, porque uma pessoa irritada tende a pensar mal e a decidir pior. É nisso que o ex-patrão indicia apostar. No entanto, mesmo se, como diz sem pejo, o português não é o seu forte, Jesus aparentou comodidade neste jogo do gato e do rato, procurando a reversão do quadro em seu benefício. "Este é o ar que gosto de respirar. Fico com o peito ainda mais cheio e com vontade de trabalhar", ripostou. Foi a formulação encontrada para dizer que medo não lhe metem. É mesmo?
