Diz o passado: JJ e Vitória não lhe metem medo. Está nas mãos do "protegido"
Na agonia, grita-se por socorro. Não sendo regra, é uma prática comum, e o FC Porto, atirado para águas turvas por falta de futebol empolgante e maus resultados que, além de amputarem hipóteses de sucesso, guilhotinaram um treinador que nunca foi querido na plateia, procura oxigénio em terra firme. Ontem, após nova derrota - e consequente adeus à Taça da Liga -, do interino Rui Barros ao capitão Helton, o pedido de auxílio ao recém-chegado sucessor de Lopetegui foi ensurdecedor. "Esperamos que nos ajude a levantar-nos", vincaram, com a urgência que se pode supor e entender num apelo de assistência como aquele. José Peseiro tem muitas peças para recompor, colar e ordenar no modelo de jogo e no sistema tático que tratará de esculpir de acordo com uma ideia de futebol positivo, organizado e envolvente, feito de variações, criatividade e velocidade, como tanto aprecia. A forma como foi dizimado no Sporting em 2005, por uma guerra surda, distorceu-lhe a imagem. Por cá recuperou alguma coisa no Braga, de onde até saiu com uma Taça da Liga na mão - à custa do Benfica e do FC Porto -, mas... agora é que é. A sério, "a" oportunidade começa hoje, no terreno e passando a primeira mensagem ao universo de adeptos que, com bom desempenho, terá de arrastar para o seu lado e da equipa - e a todo o gás. Ainda há um campeonato para tentar ganhar. Se os confrontos diretos positivos do passado têm o condão de animar e moralizar quando a memória os traz à tona, então Peseiro e os que o seguem podem insuflar a esperança: em sete jogos contra Jesus, perdeu apenas um; em quatro frente a Rui Vitória, o saldo é igualmente feliz - somente uma derrota. Sem fantasmas a bailar, está nas mãos do "protegido" de José Mourinho abanar o campeonato.
