Nani não foi capaz de ser diplomático e lançou a confusão, rasteirado pela mágoa decorrente das intervenções de Bruno de Carvalho no pós-Guimarães
Atirado para a gaveta o dossiê seleções, a atenção torna a incidir nos clubes e recentra-se nas expectativas e principais ebulições domésticas. Por cá, o intervalo foi pobre em mudanças: o Sporting, que anda de joelhos esfolados por um somatório de acidentes dentro de campo e na internet, continua como dantes, a agitar-se na primeira linha do falatório. E a contribuir para isso, sublinhe-se. No regresso de Manchester, onde, com a camisola de Portugal, voltou a exibir-se perante quem bate agora com a cabeça no tijolo por ter desejado vê-lo longe, Nani imitou quem manda no clube de Alvalade: deu um passo atrás na intenção de permanecer de leão ao peito até ao fim da época para, um dia depois, assegurar uns quantos à frente, ou seja, até onde conseguir ajudar a equipa a esticar as hipóteses de sucesso nas várias frentes competitivas. É natural, e aceitável, que, falando em Old Trafford, tenha querido ser cortês para com o "patrão" que lhe garante mais de cinco milhões de euros/ano em ordenados: "Regressar ao United em janeiro? Não digo que não", foi o que lhe saiu, a despachar conversa com os jornalistas. Podia tê-lo dito de forma menos híbrida e impactante? Sim, mas não foi capaz: naqueles segundos em que procurou dar roupagem diplomática à declaração, acabou rasteirado pela mágoa resultante das reações de Bruno de Carvalho no pós-Guimarães.
