RUGIDOS DO LEÃO - A opinião de Samuel Almeida, aos domingos.
1 - O mercado fechou e é tempo de fazer o balanço. A primeira conclusão a retirar é que o Sporting se reforçou bem, contratando jovens atletas com muito potencial de valorização - Porro, Pote, Nuno Santos, Tabata - tendo aumentado significativamente o equilíbrio do plantel.
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O regresso de Palhinha dota finalmente a equipa de um 6, dispondo a equipa de soluções e alternativas para quase todos os sectores. Falhou, na minha opinião, dotar a equipa de uma solução alternativa para Matthieu - Feddal é um central experiente, mas sem a classe do francês - e um ponta de lança para rivalizar com Sporar, que pouco conta para Ruben Amorim. Não chega para ser campeão, mas houve um salto qualitativo e parece, finalmente, haver maior critério e uma política desportiva definida. Mesmo com a saída de três titulares, a equipa parece-me bem mais forte e com mais soluções, pelo que saldo parece positivo. A nós adeptos cabe-nos apoiar e potenciar o crescimento da equipa.
2 - Não tendo mudado a estrutura do futebol, a pergunta que urge fazer é o que mudou em Alvalade? A resposta é simples e chama-se Rúben Amorim. Parece agora claro que o Sporting passou a dispor de dois diretores desportivos, Rúben Amorim para definir a política de contratações/desportiva e Hugo Viana gerir os passivos que ele próprio e Frederico Varandas criaram.
Nesta matéria, importa recordar que esta administração já faturou quase 200 M€ em vendas, tendo gasto em dois anos mais de 70 M€ em contratações, a maior parte sem retorno financeiro ou desportivo. Um desastre. Até à data, o Sporting não fez uma venda de qualquer um dos atletas contratados por esta SAD. Renan está na porta de saída, Doumbia foi emprestado, Ilori está encostado, Rosier emprestado por 200 mil euros, Eduardo idem, Camacho não é opção e por aí em diante. Titulares para já apenas Neto e Vietto, sendo Plata e Borja alternativas, assim como Luiz Phellype. Um pobre pecúlio com resultados desastrosos a nível financeiro e a dificultar, e muito, a estafada narrativa da herança.
Até à data, o Sporting não fez uma venda de qualquer um dos atletas contratados por esta SAD...
3 - O regresso de João Mário é uma excelente notícia para o clube e seus adeptos, pois trata-se de um internacional português, um filho da casa e um jogador de classe internacional. João Mário e os mais jovens da formação têm a obrigação de passar aos recém-chegados os valores e a mística do clube. Todos os balneários precisam de um farol e de uma cola que junte os egos e interesses individuais em nome do coletivo. E do que se vê - nas reações dos atletas e interações enquanto grupo - esta equipa parece estar bem. Rúben Amorim tem a vantagem de saber o que é a gestão de um balneário de clube grande.
4 - O basquetebol leonino voltou aos títulos 40 anos depois e confesso a minha alegria. Um obrigado a esta Direção, e em particular ao Miguel Afonso e ao Edgar Vital por tornarem isto possível. E um obrigado a todos aqueles que se bateram e batem pelo ecletismo do clube, o que inclui a anterior Direção de Bruno de Carvalho que dinamizou o ecletismo e construiu o pavilhão João Rocha. O ecletismo não é um chavão, faz parte da cultura do clube e do seu ADN vencedor. Faz parte do património do Sporting Clube de Portugal. Os meus parabéns, igualmente, ao futebol de praia e à equipa de ténis de mesa pelos títulos de campeão e supertaça, respetivamente.
5 - Por fim, uma clarificação sobre a minha posição em relação à segunda volta. Para quem não tenha memória curta, em 2018 não só não apoiei nenhuma candidatura, como apelei à convergência. E fi-lo em consciência, por entender que uma liderança diminuída na sua legitimação seria prejudicial ao clube. E mantenho a opinião. Naturalmente, que a segunda volta só é aplicável nos casos em que não haja uma maioria absoluta de votos na primeira, razão pela qual este tema não se colocou no passado, à exceção da eleição de Godinho Lopes, com os resultados que se conhecem. Não é a panaceia para todos os males e não diminui a capacidade eleitoral de ninguém. Não contem comigo é para o clima de guerra civil instalado em Alvalade, nem para o insulto, pois não acredito que o nosso futuro coletivo seja construído em cima dos escombros da desunião. Os nossos inimigos moram fora de Alvalade e todos somos poucos para reerguer o clube e colocá-lo no lugar que merece.
