As equipas portuguesas garantiram o sexto lugar no ranking. O quinto - ocupado pela França - está já ali, mas...
Sou um tipo cuidadoso com as exaltações. No futebol, a tendência, por motivações políticas - não confundir com partidos políticos -, é apregoar-se o que de bom se fez para não ter de fazer muito mais. Eu acho o contrário, acho que o sucesso aumenta as responsabilidades e obriga a reformas ainda mais profundas do que as que nos trouxeram até ao sexto lugar no ranking da UEFA.
Em 2021/22, Portugal terá duas equipas diretas na Champions e uma nas pré-qualificações. Mas também descerão duas à terceira divisão europeia
Convenhamos, à exceção de um super-Braga e dos serviços mínimos dos restantes na presente temporada, e de FC Porto e Benfica nas quatro épocas imediatamente anteriores, o maior aliado da competitividade das equipas lusas foi o lento descalabro do futebol profissional russo, que tentou criar estrutura com base no dinheiro a rodos. É estranho como ali para os lados das antigas estepes soviéticas faltou regulação em função de um bem comum. Lá está, o mercado não se regula a si próprio, nem a economia sobrevive sem dedo de quem gere bens comuns.
Só com uma regulação forte, com visão técnico-científica, empenhada e isenta (sem olhar a emblemas), se poderá fazer crescer ainda mais o futebol português e apontar ao quinto lugar, ocupado pela França, no top uefeiro. Claro que será muito bom ter duas equipas garantidas na Champions e uma nas pré-qualificações em 2021/22.
A Rússia ficou para trás e é provável que, por vicissitudes próprias, seja palco de desinvestimento no futebol: os oligarcas estarão em modo de venda dos clubes que foram comprando Europa fora - o Chelsea até tem preço definido: 3,5 mil milhões.
Por isso importa mesmo pensar grande e pensar bem: para "alvejar" a França em busca do quinto lugar da UEFA não bastam um super-Benfica ou um super-FC Porto.
Isso apenas acontecerá com uma I Liga fortíssima, equilibrada, competitiva e financeiramente sustentável. Até porque, convém não esquecer, o quarto e o quinto classificados devem cair, nessa época de três na Champions, para a terceira divisão europeia, a tal Conference League. Não se esqueçam de que, à Liga Europa, apenas irá o vencedor da Taça de Portugal...
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