DRAGÃO DO SUL - A opinião de Paulo Baldaia, ao domingo n'O JOGO.
Ainda não nos tinha saído da memória a duplicidade de critérios disciplinares no FC Porto-Benfica, com os jogadores benfiquistas a escaparem incompreensivelmente a vários cartões amarelos e vermelhos, e logo outro clássico haveria de mostrar que estas coisas nunca acontecem por acaso.
13269745
Há um padrão no comportamento do árbitro, chame-se Godinho ou chame-se Pinheiro, que passa por ser intransigente com os jogadores do FCP e condescendente com os nossos adversários da segunda circular lisboeta.
O jogo com o Sporting não atingiu o nível que tinha atingido o jogo com o Benfica e sobre o qual escrevi aqui na semana passada, mas também no jogo da Taça da Liga, se as regras tivessem sido cumpridas, o adversário teria jogado com menos um. Se é evidente para toda a gente que, aos 66 minutos, Palhinha deveria ter visto o segundo amarelo por cortar a bola com a mão, não é menos significativo que entre os erros disciplinares do árbitro tenha estado um amarelo mostrado a Grujic, aos 35 minutos. Parece um erro pequeno, mas um cartão amarelo forçado a punir um médio defensivo é uma forma de condicionar esse jogador e dessa forma o jogo de toda a equipa.
Já vimos acontecer, já sabemos como termina e, por isso, não podemos adiar o nosso protesto para um momento em que o prejuízo já não seja recuperável. Não podemos nunca esquecer o que nos disse o mestre: "Enquanto fomos bons rapazes, fomos sempre comidos".
Parar é morrer
A covid-19 tem atacado forte e feio a maioria das equipas que disputam os campeonatos profissionais, mas as consequências para umas equipas são mais duras que para outras. Haverá, por certo, alguma responsabilidade na organização de cada clube, mas num jogo que se joga sem máscara e sem possibilidade de distanciamento, conforme os campeonatos avançam e cresce a pandemia, passa a ser uma lotaria.
Por muito que nos custe ver o Futebol Clube do Porto ficar ao mesmo tempo sem Otávio, Sérgio Oliveira e Luis Díaz, ao Benfica ficar sem defesa ou ao Sporting perder jogadores titulares por causa do vírus - sem esquecer que o mesmo acontece aos que jogam com os clubes grandes -, é preciso resistir à ideia de adiar jogos ou, pior ainda, suspender as ligas, à espera de melhores dias. Do ponto de vista sanitário, é evidente que esses dias melhores chegarão, infelizmente mais tarde que cedo, mas só justo equilíbrio pode salvar os negócios. E como o futebol, a este nível, é uma paixão que só vive se o negócio fizer o caminho possível, parar é morrer!
Uma dupla chamada desejo
No dia 8 de novembro, formulei neste jornal o desejo de um treinador de bancada: "gostava de ver o FCP jogar com Taremi e Marega na frente". Acrescentei que "o iraniano ainda nos vai dar muitas alegrias e eu julgo que a melhor dupla que podemos ter na frente é mesmo Taremi e o maliano". O meu desejo cumpriu-se e esta dupla já é um caso sério no futebol português. Espero que amanhã, em Faro, regressem os dois para formar a linha da frente e que isso signifique que o Futebol Clube do Porto regressa às vitórias. A jogar com os dois só não ganhámos contra o Benfica, mas nunca saberemos o que teria acontecido se o mesmo árbitro que expulsou Taremi tivesse cumprido a sua obrigação expulsando Nuno Tavares e Pizzi ou então se tivesse sido condescendente com o jogador do FCP como foi com os jogadores do Benfica.
