DRAGÃO DO SUL - Um artigo de opinião de Paulo Baldaia.
O que se viu, ontem, em Tondela chega a ser assustador e já se tinha visto em muitos outros campos.
Não nos podemos habituar e não devemos calar.
Contra o FCP, os árbitros deixam jogar quando é o FCP a atacar, ficando muitos amarelos por mostrar, mas não deixam passar o mais pequeno toque quando são os azuis e brancos a defender. Não nos podemos habituar e não devemos calar.
Mas há pior, porque depende de nós, e também acontece muitas vezes. O FCP passa de estar a controlar o jogo para uma fase de descontrolo em apenas alguns minutos, bastando para isso que a equipa adversária comece a fazer pressão mais alta. Nesses momentos, nós começamos a errar muitos passes e a perder bolas que dão aos adversários a possibilidade de lançar contra-ataques perigosos.
Parece que a equipa só sabe jogar a alta velocidade. Já o disse muitas vezes, sei pouco de futebol para estar a aconselhar formas de jogar ou substituição de jogadores, mas agora também posso acrescentar que conheço bem as úlceras que tenho no estômago e que sofro com elas nesta forma nervosa de abordar a última meia hora de jogo, quando estamos a ganhar apenas por um.
Queria agradecer ao Taremi ele ter feito as pazes com a baliza adversária exatamente neste jogo.
Também por isso, queria agradecer ao Taremi ele ter feito as pazes com a baliza adversária exatamente neste jogo, porque, a ganhar por 0-2, até parece que senti as minhas úlceras a sorrir.
Martínez veio confirmar, com o espetacular golo que marcou, que nesta fase não há lugares cativos na frente de ataque do FCP. Entrou ele e Evanilson, como podiam ter entrado Taremi e Marega. Está aqui uma boa notícia, porque ainda temos de ganhar onze jogos esta época, os oito que faltam do campeonato, o próximo com o Chelsea, pelo menos um das meias-finais, mais a final da Liga dos Campeões. Termino lembrando a fibra de que são feitos os campeões e citando Pessoa: "Deus quer, o Homem sonha e a Obra nasce."
Não queremos vitórias morais
Aquilo que aconteceu em Sevilha não pode voltar a acontecer em Sevilha. A tradição europeia do Futebol Clube do Porto é ganhar jogos quando joga melhor do que os adversários, não é jogar melhor do que eles e perder. Portanto, com o campo mais ou menos inclinado, tragam de lá essa vitória que há de confirmar que a Liga dos Campeões é a nossa casa.
As vitórias morais são para clubes que não estão habituados a ganhar e deve ser por isso que em Portugal se encontra pouca solidariedade institucional. Por cá, o único exemplo que há para amostra foi dado pelo FCP, que aceitou jogar a Supertaça na antevéspera de Natal para não atrapalhar a tentativa de o Benfica entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões.
As vitórias morais são para clubes que não estão habituados a ganhar.
O que recebemos em troca é ter de viajar para Tondela no meio de duas viagens para Sevilha para jogar a Liga dos Campeões, tudo no espaço de uma semana. Na Holanda, alteraram os calendários mais de 40 vezes para potenciar o desempenho do Ajax, do PSV, do Feyenoord e AZ Alkmaar nas competições europeias. Mas isso são os holandeses, que têm a mania de se dar a grandezas.
