JOGO FINAL - Este até podia ser o tempo certo para Messi sair ou o Barça se livrar dele, mas só se alguém pagasse
Enquanto por cá engrossa o coro de protestos contra as medidas impostas pela Direção-Geral de Saúde para a prática desportiva, com desvios, esquecimentos, colisão de interesses, a Europa do futebol discute Messi como se não houvesse amanhã. As razões da rotura, os direitos e os deveres, e principalmente as consequências da saída do argentino do Barcelona.
Se a lei libertar o argentino a custo zero, as feridas demorarão mais a cicatrizar
Ao serviço do Barça, Messi ganhou 34 títulos, seis Bolas de Ouro e seis Botas de Ouro. Tratando-se de um jogador com tamanha influência na história de um emblema que faz gala de se autoproclamar "mais do que um clube", a saída teria sempre um impacto forte, mesmo que, por absurdo, se deixasse por lá ficar até se arrastar e todos acharem ser chegada a hora de pendurar as botas e lho lembrassem com assobiadelas.
Há aqui uma questão maior: Messi querer sair e o Barcelona precisar de encontrar o tempo certo para se livrar dele. E podia ser este.
O Real Madrid resolveu bem a questão de Cristiano Ronaldo. À vontade do jogador juntou-se uma oferta de 117 milhões e, com mais ou menos lágrimas e bastante tempo a lamber as feridas, ambos seguiram em frente. Ronaldo é bicampeão de Itália e o Real, apesar de ainda não ter atinado na Champions, já foi campeão.
12556985
Tudo será diferente se Messi sair a custo zero e em guerra aberta. Aí sim, instala-se um sentimento de perda superior ao peso do dinheiro. Numa transferência a equação é simples: quis ir, pagaram, foi. Segue a vida. O Barça reconstrói-se com maior ou menor dificuldade e voltará a ganhar. Se calhar, nesta altura em que se impõe romper com o passado, até poderá ser boa ideia a saída de alguém que de tão importante poderá tornar-se castrador.
Se a lei libertar o argentino a custo zero, as feridas demorarão mais a cicatrizar, a Catalunha agitar-se-á, haverá insubordinação na via pública e Bartomeu irá para a lista dos presidentes malditos. Depois, o clube continuará lá e os adeptos a segui-lo.
