Foi-se Enzo, mas há Samaris, Cristante e Talisca, que custaram 20 milhões, e ainda Pizzi, uma compra de seis milhões. Ser bicampeão "só" depende de Jesus
A transferência de Enzo Pérez para o Valência enfraqueceu ou não o Benfica? Com o negócio ainda fresco, a pergunta repete-se à procura de respostas nos resultados da equipa. Desfiando uma ideia ontem expressa por Rui Vitória para dimensionar as diferenças entre os "caramelos" do V. Guimarães e o sortido do campeão, a saída de Enzo corresponde a menos um "chocolate suíço" na Luz. Agora que partiu para uma liga onde pode experimentar outro tipo de exigências e, fundamentalmente, forrar os bolsos com milhões de euros que levaria (muitos mais) anos a angariar em Portugal, será absurdo pensar em diminuir-se a relevância do argentino, mas o inverso também é válido: a importância que tinha no onze encarnado arrastou-a consigo para Espanha. O mesmo sucedeu em setembro de 2012 com Witsel, quando o então "imprescindível" e "titularíssimo" abalou para a Rússia, atraído pelo desafio e pela riqueza proporcionados pelo Zenit. O "drama" durou pouco, afinal foi chocolate por chocolate: foi-se o belga, impôs-se Enzo, ele que adquirira noções de médio-centro no Estudiantes (empréstimo). Isto para vincar que só pode continuar a haver qualidade na zona central do meio-campo: juntos, Samaris, Cristante e Talisca custaram 20 milhões de euros, e ainda há Pizzi, uma aquisição de seis milhões. Se falhar o bicampeonato, Jorge Jesus terá de convocar outras justificações ou desculpas.
